A LEI ANTIFUMO, A LEI DO FUMO, E EU QUE FUMO

Ok! Então vamos pensar!

Não cabe a mim, pai de um garoto não fumante super inteligente, eu fumante (a genética tem seus próprios mistérios), advogado ( e também  músico, ator metido a escritor, marceneiro se houvesse horas vagas, mecânico de buggy se sobrasse algum dinheiro, e tantas outras coisas que faço sem qualquer parcimônia), questionar uma Lei que está em vigor. Lei é Lei e deve ser cumprida.

Mas esses meus olhos hiperativos, hávidos por emitir uma opinião sobre o repertório de coisas que se passam ao seu e ao meu alcance, não permitem que meus dedos fiquem estáticos diante da nova lei do fumo. E quando digo lei do fumo, é por ter certeza que, quando os deputados aprovaram a lei sem emendas, sem remendos, sem remédios, apesar de se tratar de uma lei que combate o fumo, os fumantes levaram fumo mesmo. E não foram só os fumantes.

Com o advento dessa lei intransigente, a verdade (se ela existe, apesar de eu ter a minha própria e que só serve pra mim) é que de alguma forma, o legislativo tentou criar a imagem de alguma coisa bem interessante: UM BAR SAUDÁVEL. Como se fosse possível.

Penso eu que é uma tendência mundial sim, buscando melhores condições para a saúde pública. Porém, começo a pensar, na qualidade de atual proprietário do CABO BAR (Cervejaria Anjos Boêmios, ou www.cervejaria.wordpress.com para quem quiser conhecer), que em breve terei que parar de vender porções de batata frita, tábua de frios, e tantas outros petiscos deliciosos que estragam o corpinho para fazer bem a alma, pois o colesterol tamém preocupa a saúde pública. Depois disso, deve surgir alguma lei que obrigue os bares a vender cerveja sem álcool, cachaça dietética, e sucos terríveis, com gosto de corrimão de escada, mas que fazem bem a saúde.

Já não basta o tanto que o brasileiro se lasca? Temos algum direito a algum raro prazer? Ou devemos ser perfeitos como eles não são? 

E por aí vai essa minha imaginação fujona, já me alertando que agora, como abro nos domingos a tarde, terei que fornecer protetor solar para os meus clientes, pois o câncer de pele é uma realidade. E toda vez que um casal se beijar por aqui, provavelmente essa nova lei me obrigue a entregar o preservativo, pois aí também existe uma questão de interesse da saúde pública.

E desde já, como não me cai bem qualquer tipo de papel à margem da legalidade, irei eu cumprir fielmente as determinações legais. Quando tudo isso acontecer, temo por esses novos tempos. Penso em um bar frequentado por gente que não bebe, não come gordura, não tem uma vida sexual, e nem fuma. Olhando os clientes de hoje, e já pensando na evolução da situação, creio que seria, com o perdão da palavra (acredito que existam pessoas que não façam nada disso mesmo), um bar de chatos. Então teríamos no melhor estilo catarinense o “CHATUSBAR”.

E se escrevo isso, não é sem algum motivo. Além de meus impulsos que as falangetas apertam nas teclas, existe um motivo muito interessante.

No último sábado, como não é permitido fumar dentro do bar (eu não tenho “milão”, e se tivesse, mandava flores para alguém e comprava um bom brinquedo para o meu filho), os fumantes foram autorizados a fumar no portão da casa, cumprindo a distância legal da porta e todas aquelas outras coisas que ninguém entende muito bem como é até agora.

Em um determinado momento, percebi o bar quase vazio, e imaginei que toda aquela gente havia aproveitado a lei para quebrar a regra, saindo sem pagar. Já tentando me recompor do prejuízo que eu considerava quase certo, fui para fora do bar para fumar. Quando olho, uma multidão, toda aquela que estava sentada dentro do bar, agora fumando lá fora. Com um certo alívio, fumei meu cigarro enquanto observava a situação. E não demorou muito para perceber que os não fumantes, que estavam dentro do bar, já se encaminhavam para o portão também. Quando indaguei a eles qual o motivo disso, apenas me disseram que estavam se sentindo muito sozinhos lá dentro.

Assim, o que se vê, é uma Lei que obriga fumantes passivos a fumar em espaço aberto, o que reduz significativamente o mal que o cigarro faz. Porém, preocupa-me outros efeitos que decorrem dessa situação. Vizinhos de bares passaram a ter que conviver com os clientes na rua, gargalhando e comemorando a vida, mas causando desconforto ao sono alheio. E eu investindo uma quantia milionária no isolamento acústico do bar…

Além disso, donos de bares poderão infartar ao descobrir o número de fujões que saíram sem pagar a conta. O garçom desempregado, a cozinheira sem trabalho, o porteiro de eventualidades, todos eles passaram a ter problemas como depressão, insônia, e provavelmente em uma noite ou outra sem tranquilidade, o cigarro surja como companheiro para diminuir a ansiedade, e lá teremos um novo, ou novos fumantes.

Se a preocupação é a saúde pública, deveriamos quem sabe nos preucupar também com a segurança pública. Mais policiais e menos fiscais seria uma boa solução para essa equação. Mais segurança e menos multa. Quem sabe deveríamos adotar uma preocupação também com o trânsito, que deixa tanta gente estressada a ponto de fumar uma carteira entre o trabalho e a sua casa. Mais condições e menos estresse. Ou mesmo poderíamos focar em uma política mais honesta, mais saudável, com uma perspectiva onde esse país seja tratado não como simplesmente um campeonato brasileiro, onde juízes fazem e desfazem para salvar cariócas.  Eu até poderia sugerir uma propaganda para o TRE: O direito de sonhar faz bem a saúde!

Se a questão é saúde pública, mais justiça traz mais paz social, que diminui a insegurança, que diminui os custos público, que aumenta as condições financeiras do país para investir em seu próprio povo.

Bem, vou parar este texto por aqui, pois vou lá fora fumar um cigarro. Sim, pois posso estar sendo observado sem saber. Já imaginou? Eu multado? Daí iriam cortar minha internet e eu nem poderia estare escrevendo isso.

Já volto, mas volto outra hora.

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UM BAR CHAMADO CAMALEÃO

 

CAMALEÃO

Para quem não conheceu a história desse bar, sua trajetória começou de forma bem interessante. Em 2001 era apenas uma revistaria, porém, com a chegada do calor daquele ano, o proprietário empresário Junior Barcik, decidiu começar a vender Água de Coco para os transeuntes da Rua Jerônimo Durski que procuravam o parque Barigui para curtir um final de tarde.

O negócio cresceu tanto, que o proprietário teve que construir um pequeno Deck, onde seus clientes passaram a sentar-se e relaxar do começo da tarde ao chegar da noite. Muitos deles desistiam do parque e ficavam por ali mesmo diante do ambiente agradável e do público bonito que a casa formava.

Percebendo a necessidade de ampliar o espaço, a casa que ficava logo atrás da banca deu espaço ao CAMALEÃO SURF BAR, que passou então a vender o mais famoso AÇAÍ NA TIGELA de Curitiba. Neste formato com a estrutura de bar, Junior abriu espaço nos domingos para as melhores bandas de reggae, criando aquilo que seria a melhor domingueira da cidade.

Público bonito, tranquilo em um ambiente perfeito para as tardes de domingo. Até as 22 horas rolava a música muito bem executada pelos melhores do Reggae. Tantas vezes o portão era fechado as 19 horas em função da casa atingir a lotação máxima. Após 8 anos de sucesso, o imóvel que abrigava o bar foi vendido, naturalmente diante da valorização do ponto comercial.

A coincidência, é que este bar ficava ali no bigorrilho, justamente uma quadra de distância da casa de Samuel Rangel, que hoje é sócio da CABO. Tantas e tantas vezes Samuel Rangel, na época com outro bar, num formato tradicional, passava o final da tarde por ali, sempre elogiando e insentivando o empreendendorismo de seu vizinho e amigo. Junior por seu lado, após a venda do imóvel, investiu no ramos de estacionamento e lavacar, justamente na região próxima da CABO, vindo a oferecer vallet para os seus clientes. Em uma conversa no Mercadorama do Juvevê, Samuel e Junior aventaram a hipótese de criar o Projeto CABO CAMALEÃO. Diante das semelhanças da estrutura física dos bares, e diante das semelhanças entre os próprios empresários, ambos músicos e atores, são vizinhos E amigos de infância criados no bairro Bigorrilho, oriundos de famílias que se conhecem há décadas. Assim naturalmente o projeto surgiu com a chegada do verão, tendo em vista o interesse da CABO de criar uma ação específica para o verão.

Só o anúncio da ideia e o surgimento de comentários da parceria, lotaram a CABO neste úlitmo domingo, apesar da chuva e tudo mais. E pelo que se viu da pré-estreia, o projeto é realmente um sucesso.

Com certeza a história do CAMALEÃO, bem como as coincidências que ocorreram neste espaço de tempo, legitimam o projeto que passa a oferecer uma espaço maravilhoso para os domingos de nossos amigos clientes.

Venha conhecer, participe, reviva e curta a melhor música para as tardes e noites de domingo.

Acesse o blog da CABO e conheça melhor o espaço www.cervejaria.wordpress.com

HOJE TOCO NA CABO – CERVEJARIA ANJOS BOÊMIOS

Para saber mais, acesse

www.cervejaria.wordpress.com

CERVEJARIA ANJOS BOÊMIOS _ 11_09 Convite de final de semana

UMA ORAÇÃO PELO VERÃO

 

# # 0 0 A e u z tSem deixar de agradecer as flores que a primavera me trouxe, quero agora orar pelo verão que se aproxima.

Que o calor canse meu corpo, para que ao diminuir a velocidade dos meus passos, eu possa encontrar mais paz na alma, perder a pressa que tanto me consome durante o ano inteiro. Encontrar calma no cansaço, e alegria no suor que escorre de meu trabalho.

Que eu possa após o justo merecimento, ter os pés na areia e os olhos no mar, para poder ouvir no som do mar a voz de Israel Kamakawiwo’Ole, fazendo da brisa constante e fresca o doce de uma voz que me conduz ao silêncio, calmo e humilde, diante do milagre que nos cerca, e traduz em nossa vida, por mais dura que seja, uma dádiva divina.

Que eu possa ter alguns momentos para ver meu filho correndo pela areia, como mensagem de que a vida segue, em frente, desafia o tempo, supera o passado, as vezes tropeça, mas se levanta, e cada vez menos vai ao chão, e se promete eterna enquanto durar, tal qual poetizou aquele que tanto gostava da noite.

Que ao chegar da noite quente, eu possa ter janelas para escancarar, sem medo, sem pavor, para sentir o ar entrando pela janela direto para os meus pulmões, enchendo de vida o peito cansado, mas perseverante pela vida nos descompassos que a vida batuca em nossos destinos. E que eu possa sorrir com as imagens do dia e esquecer um pouco das mil obrigações que assumi em detrimento da obrigação de valer a minha própria vida.

# # 0 0 A e u z x tQue eu possa correr pelo sol em busca de alguma sombra, e no frescor de algum sombreiro de folhas largas, possa conversar com alguns amigos, num tagarelar preguiçoso e risonho, interrompido vez por outra pelo gole na cerveja gelada, ou pelo silêncio que o violão solicita. Que eu possa ouvir a voz serena da mulher amiga, sem pretensão, pois onde a pretensão é ausente, também se ausenta a decepção.

E quando a nuvem encobrir o sol, que a chuva venha forte, para testemunhar o quanto foi grande o esforço da natureza para que pudéssemos estar aqui, as vezes desatentos à mais bela conspiração de coincidências inacreditáveis, prova incontestável de que Deus é por nós. E que em silêncio eu possa orar para agradecer a Deus todo o presente, presente enquanto tempo, e presente enquanto o mais belo pacote que nós é entregue quando abrimos os olhos pela primeira vez na vida.

# # 0 0 A e u z x zE quando março chegar, ao primeiro vento mais frio, que eu possa entender que vez por outra é preciso renunciar para merecer. Às vezes é preciso partir para ter o direito de estar presente, pois o milagre da vida deve cumprir seus ciclos, tal qual o verão, e então deveremos dar espaço para o que vem depois, cruzar o chão de folhas secas, depois buscar o calor do fogo de uma lareira, até que o cheiro das flores no final da primavera, anuncie que outro verão se aproxima, cumprindo a promessa, o ciclo, o milagre, e celebrando a vida.