FUTEBOL BRASILEIRO. CRITÉRIOS, CRIADORES E CRIATURAS.

Não seria eu tolo a ponto de tentar defender a imbecilidade que algumas dezenas de terroristas tupiniquins cometeram no último domingo no Couto Pereira. Não é por ser torcedor do Coritiba, que eu deixaria de ter o senso crítico e perceber no evento, uma deplorável manifestação da bestialidade que cometem certos grupos não só de torcedores.

E quando digo que não me permitiria tal tolice, é por perceber que já cometi minha cota de equívocos neste ano. Perdi horas na frente de uma televisão torcendo pelo meu time em um campeonato sem qualquer moralidade. A crônica esportiva tem memória curta, e esquece de escândalos que não justificam a violência, mas explicam a indignação de torcedores de times que estão fora do eixo Rio/São Paulo.

Não entenda-se estas palavras como o lamento de um torcedor de um time rebaixado, até porque, ao pesquisar o blogue www.anjosboemios.blogspot.com, o leitor poderá encontrar manifestações de minha indignação em tempos bem menos conturbados.

Porém, e mais uma vez registre-se que sem a intenção de defender bandos de primatas, essas criaturas inferiores que se manifestaram no último domingo, são resíduos pútridos e dejetos que alguns “criadores” deixam pelos cantos. Quando os chamo de criadores, é por entender que eles são criadores do caos, e no caos se multiplicam as chagas sociais, muito bem estampadas no rosto dos primatas que atiravam coisas sobre o policial caído.

Hoje, fala-se em trinta jogos de punição para o Coritiba, deixando bem claro que o time deverá jogar todo o campeonato da Série B sem um mando sequer. Até o mais alienado dos observadores desta questão, percebe que a condenação não é uma simples perda de mando, mas sim uma condenação ao rebaixamento já para a Série C do Campeonato Brasileiro, em virtude de que, esta desvantagem somada já a fragilidade do elenco do Coritiba, certamente o levará a divisão inferior em 2011.

E se falo dos criadores, e os acuso de fabricar esses absurdos que meus olhos não são obrigados a testemunhar, falo exatamente pela falta de critérios, ou mesmo, pela inversão de critérios que fazem do futebol brasileiro realmente uma caixinha de surpresa. O goleiro do São Paulo derruba um atacante do Avaí na área. É pênalti? É uma caixinha de surpresa. Temos que aguardar um árbitro apitar, e pelo que já se viu, ele pode até apitar o pênalti, mas provavelmente, erguerá um cartão amarelo, ou até vermelho para o atacante que teria “simulado” a falta. E por aí segue a história.

Mas a falta de critério não é apenas dos árbitros. Enquanto se fala em trinta jogos de punição para o Coritiba, qual foi a punição quando fato semelhante aconteceu nas Laranjeiras? Espero que o leitor se recorde das agressões semelhantes no confronto entre Fluminense e Atlético há tempos atrás.

Hoje foi publicada a notícia de que um jogador do Botafogo foi flagrado usando substância proibidas exatamente no jogo em que venceu o Coritiba. Perda dos pontos? Nem pensar. Isso poderia reverter o resultado que foi arranjado pela arbitragem para preservar os cariocas na primeira divisão.

Punições exemplares são para os excluídos. Isto é assim no Brasil não só no futebol. Para o desembargador corrupto, prisão domiciliar. Para o PM, prisão mesmo. Para o político que rouba e forra as meias, um simples processo. Para o infeliz que rouba comida no mercadinho, cadeia mesmo. E assim segue a história, desvalidando critérios, na mão dos criadores, e expelindo criaturas que nos espantam pela capacidade de mostrar o quanto seres podem deixam de ser humanos.

Aos cantadores da moral, falastrões da justiça, profetas tortos da verdade, oniscientes, onipotentes, apenas advirto de que de suas práticas absurdas, de sua corrupção, de sua irresponsabilidade e de sua falta de respeito, fatos injustificáveis se sucedem.

E se lhes faltou justiça em tantas oportunidades, não é de se surpreender que lhes faltem os critérios para dar a melhor solução ao caso. O que temo que me surpreenda, é a indignação manifestada de forma absurda em virtude dos absurdos que as autoridades, ou “autoritariedades” cometem.

Se puder, ponha-se a refletir.

Qual a sua participação em tudo isso?

Ps.: E para não parecer uma opinião passional, busquei no Google a seguinte expressão entre aspas: ESCÂNDALO NO FUTEBOL BRASILEIRO. Em menos de um segundo, apareceu o resultado:

“Resultados 110 de aproximadamente 24.700 para “Escândalo no Futebol Brasileiro” (0,82 segundos)” 

QUEM É VOCÊ ? (Samuel Rangel)

E no despertar da semana em que o calendário gira mais uma ano de idade, ao olhar no espelho os cabelos brancos e as rugas que expressam o tempo, o quanto sorri e o quanto chorei, uma necessidade tola de tentar saber tudo sobre o todo, convida a cabeça afoita a perguntar: Quem é você? E essa pergunta não deveria ser roubada pela nossa falta de tempo. Deveríamos ter quinze minutos a mais no espelho para testemunhar nossa existência ao repetir essa pergunta. Mas se Deus fez assim, significa que tenho desperdiçado quinze minutos do meu dia, todos os dias.

E hoje, ao buscar alguma resposta inexata, descobri que sou pior do que queria ser, mas melhor do que pensam os rivais. Sou a união dessas metades que não se encaixam, e se desgastam pela vida, para que um dia pareçam uma coisa só. Como pode o músico e o advogado viverem em paz? Basta que eu não vá com o violão ao fórum e de beca ao palco. Como pode o pretenso pianista arriscar os dedos na marcenaria? Basta ter o mesmo cuidado que se tem com os dedos com a madeira. Sou pai e filho, amigo e amante, rival e concorrente, perfeita imperfeição de quem se entende nos limites que Deus me deu, e também nos lampejos de coragem onde Deus me permite quebrar os limites.

Mas dentre as coisas que não sei, grande parte de tudo isso aliás, enquanto olho os dedos riscados pelo trabalho, pergunto-me por onde me escapou o tempo.

Quantos anos você tem?

Tenho um filho de idade, e tantos amores de vida, apesar de que após se ter um filho, a idade é a eternidade. Sei que terei não só a idade do meu filho, mas dos filhos seus, e depois deles, a idade de todos outros que meu sangue trouxer.  Já estou na quinta década de realizações e também de frustrações. Minha idade são acordes no violão e no piano, e o tom rouco da voz pela manhã, ou as vezes os braços que fraquejam ou se superam.

E se me perguntarem onde moro …

Moro no colo desse meu filho, mas toda vez que tenho ele em meu colo, eu moro mesmo é no colo de Deus. Já morei algumas horas na praia em frente ao mar, e em alguns preciosos segundos já morei até sob a água mergulhando nos limites do pulmão. Já morei na rua pelas madrugadas e tive domicílio em algumas mesas de bares que tanto eu gostava. Algumas mesas que agora estão vazias e outras que não existem mais. Já morei no ventre da minha mãe, e na cabeça de alguma mulher. Já habitei o rol da culpa de algo que não fiz, e me livrei de culpas que realmente tinha. Ainda moro em alguns momentos nas lembranças de amigos, mas é inevitável que sem saber esteja de mudança para o futuro de alguém. E tantas vezes morei nas páginas que escrevo, em poesias que dediquei em vão na minha adolescência, nas petições que hoje amarelam no fórum, nas palavras que disse em um ou outro júri, numa página de jornal, ou mesmo no porta retrato sobre a estante de alguma sala.

Com o que eu trabalho?

Trabalho com meus limites, minhas vergonhas. Trabalho com desafios que me proponho a vencer, e por algumas vezes, trabalho com a frustração de não ter conseguido. Às vezes sou obrigado a trabalhar com o orgulho dessa ou daquela vitória, pois a grande obra e o grande trabalho, é exatamente esse peito que guarda meu fôlego e minhas emoções. O grande trabalho é a lapidação desse caráter, por vezes indomável, e noutras submisso e abnegado. Sim, eu já trabalhei com notas e harmonias, madeiras e parafusos, palavras e espaços, ideias e conceitos, sentimentos e morbidez, alegrias e tristezas. E exatamente por isso, após olhar quinze minutos no espelho, um sorriso molhado me permite entender sem qualquer certeza.

Esse é o tipo de perguntar que deve se fazer a todo o tempo. Quem é você? E por mais incoerente que possa parecer, deve se fazer essa pergunta sem desejar encontrar qualquer perfeição na resposta.

Enquanto tantas vezes eu trabalhava em um acorde, o dedo que sobrava em dissonância passava desapercebido pelo público. Mas eu sei que errei. Outras vezes eu adicionava à harmonia a décima primeira, e embora o público apenas suspirasse sem notar o motivo, eu sabia onde estava a diferença.

Como naquela mesa que fiz em minhas aventuras de marceneiro. Embora os olhos admirassem a obra como se fosse quase perfeita, eu sabia exatamente onde eu havia usado massa para cobrir a escorregada da serra. Eu saiba exatamente onde havia acabado o selador e onde uma mão a mais de lixa foi necessária. Também sabia onde eu havia acertado um ângulo de forma surpreendente.

E quanto as palavras?

Embora alguém possa até gostar deste ou daquele texto que eu escrevi, sei o quanto era maior e mais significativo o motivo que me pôs a escrever. Mas as palavras quem sabem me ajudem nessa manhã de perguntas.

Quem sabe eu tenha de idade exatamente o número de textos que você leu aqui.

Quem sabe eu trabalhe exatamente com as mesmas coisas que você.

Quem sabe eu more nesse blogue.

Mas com certeza, por esses instantes que se passaram enquanto você lia, eu morei em seus pensamentos.

Então, obrigado pela hospitalidade.

MANCHAS EM MINHA CAMISA. INGLÓRIA NO ALTO DA GLÓRIA. UMA RESPOSTA À JORNALISTA ELAINE FELCHACKA.

Nesta segunda cinzenta, bastaria-me a tristeza de acordar com o meu time do coração na segunda divisão do futebol brasileiro. Mas acabo percebendo que muito pior que isso, é saber que as imagens que me aterrorizam na televisão, viajam o mundo inteiro, dando conta que indivíduos que vestem uma camisa igual a minha, são capazes de propiciar imagens que nos fazem refletir sobre a real capacidade do ser humano pensar e viver em sociedade.

Dentre os que comungam de minha tristeza, minha amiga Michele me enviou um texto muito bem escrito pela jornalista Elaine Felchacka, onde esta profissional, revela que sua paixão pelo futebol foi diretamente atingida pela barbárie que ontem tomou conta do gramado do Couto Pereira. E já não bastava a minha tristeza pelo rebaixamento do time, a vergonha de ver uma horda de imbecis atentarem contra tudo e todos, ainda constato que pessoas que trabalham por amor ao futebol, começam a ver sucumbir seu sonho e sua paixão pelo esporte.

No texto a jornalista é muito clara e contundente ao revelar o verdadeiro pânico pelo qual foi tomada, enquanto a horda arremessava tudo contra todos. Uma manifestação bestial da capacidade que algumas pessoas tem de nos surpreender negativamente. Uma idiotice que permite que um ser inferior atire ferros, pedaços de pau e tudo mais que estivesse ao seu alcance, contra um policial desmaiado. Covardes que envergonham não só um torcedor do Coritiba, mas envergonham toda a raça humana, revelando que nesse mundo de injustiças e aparências, a violência explode onde a cultural e a razão não existem.

Michele em seu email escreve: “Triste realidade, saber q esse é meu time, e mesmo que não fosse, difícil aceitar passivamente que “seres humanos” (se é que assim podemos os chamar), ainda matem, agridam, destruam á troco de nada… sim, nada!!”

Solidário ao sentimento de Michele e de Elaine, queria poder lhes dar algum conforto, primeiro, por que, Cara Eliane, o que aconteceu ontem após o término da partida, não tem nada a ver com futebol e sequer guarda qualquer relação com o esporte. É um triste testemunho social e antropológico que chegamos a uma encruzilhada, e se as autoridades não chamarem para si a responsabilidade, o horizonte assusta. E quando digo autoridades, falo não só da punição destes animais que protagonizaram as cenas de violência, mas falo também sobre a punição dos responsáveis pelos escândalos da arbitragem no futebol brasileiro, falo sobre a punição dos políticos de Brasília que estufam as roupas íntimas de dinheiro enquanto os bolsões de miséria e o tráfico de drogas, são as vestimentas de cores mórbidas das grandes cidades.

Segundo, Cara Michele, não se trata do seu time, como também não é o meu. Este time alviverde que neste momento é humilhado, não guarda qualquer relação com o Campeão do Torneio do Povo, ou mesmo com aquele que foi Campeão Brasileiro. Este time, é outro, um time que é pilhado por cartolas e negociatas de talentos. Um time que não tem a postura de um time de elite. Um time que faz questão de se submeter ao ridículo de uma campanha como essa.

Mas além de tudo, este time que caiu para a segunda divisão, é exatamente aquele para o qual torcem os bárbaros covardes que nos envergonharam com toda aquela violência. E quanto a eles, também não os considero humanos. São resíduos e sobras sociais abaixo do entendimento médio que nos permite se autodenominar Homo Sapiens. Primatas inferiores para os quais a Lei do Meio Ambiente não prevê qualquer proteção.

Quanto a nós, Eliane e Michele, continuaremos com nossas paixões, amores, dedicações e sonhos, pois esta segunda-feira cinzenta vai passar. Eu continuarei torcendo, mas hoje, mais do que pelo futebol, pela severa punição e segregação exemplar destes que nos ofenderam tanto.

E embora hoje eu sinta até vergonha de vestir a minha camisa verde e branca (e não é pelo resultado no campeonato), não a deixo de amar. E toda vez que eu encontrar um torcedor usando nosso escudo, verei nele a resistência. E nessa resistência, espero que surja um pequeno coxa-branca, que cresça com boa educação e belos sonhos, para salvar não só o time, mas quem sabe a justiça, ou quem sabe que possa desenvolver um projeto social onde possamos erguer além da classificação de primatas esse pobres infelizes que hoje aparecem ferozes na televisão. Quem sabe um pequeno coxa-branca que ame tanto o seu time, que possa fazer a todos ver, que a vida vai muito além do futebol.

E por tudo isso, eu continuo na minha torcida.

*Deixo de postar qualquer imagem junto a este texto, por julgar que as imagens que estão na televisão hoje já bastam. E quando digo bastam, e hora de dar um basta mesmo.

RAZÕES PARA UMA VIDA INTEIRA (Samuel Rangel)

As notícias vindas de Brasília me estapearam a cara, a que eu tentei romper o silêncio. Busquei palavras, formas de me expressar e tentar aliviar a sensação de humilhação que me é imposta toda vez que alguém zomba da moral, da justiça, da ética e do bom senso. E as palavras que me surgiam em texto, encaminhavam-se para o baixo calão, desmerecendo seu registro neste blogue. Se apenas os palavrões me restarem, não há dúvida que devo manter-me em silêncio.

Quem sabe essa minha descrença, venha exatamente da certeza de que muitos daqueles pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, levam ao final muitas assinaturas tão indignas quanto ele, ou quanto às imagens estampadas nos telejornais. Só que o silêncio me é ácido, pois a inércia carrega uma certa complacência, um aceite tácito, uma morbidez que não combina com o momento pelo qual passamos.

E isto tudo enquanto tentava mergulhar em meu próprio peito para encontrar uma mensagem de final de ano para o leitor? Um atentado contra a inspiração, implacável, e minha vergonha de ficar em silêncio toma a manhã.

E da mesma internet que tantos dizem que não serve para nada, recebo um email com o endereço no youtube do título “War/No More Trouble – Playing for Change – Song Around The World”. Ao abrir a vídeo encontro a sequência de um outro vídeo que já havia assistido, com a música Stand By Me. Fui tomado pela emoção novamente, ao ver músicos do mundo inteiro, que jamais estiveram juntos, e que sequer falam a mesma língua, usando a linguagem universal da música para criar a harmonia do mais belo pedido de paz que eu já pude imaginar.

Olhando ali, músicos de todas as raças e ao mesmo tempo de uma única raça humana, às vezes músicos de rua, unindo-se com estrelas estampadas no céu da música, através do som para dizer que não precisamos e nem queremos mais problemas.

Enquanto ouvia, uma questão se acercava silenciosa, propondo-me uma indagação que quero dividir com todos.

O que você está fazendo de sua vida?

A questão me veio natural, ao pensar no jovem rapaz que teve essa ideia, saindo pelo mundo com uma mesa de som e aparelhos para gravar tão fantástica obra. Tenho certeza que ao final da vida deste rapaz, ainda que sua obra possa ficar esquecida, o que não acredito e conspiro, ainda assim ele terá em sua memória a firme lembrança do que fez, de sua contribuição maravilhosa por um mundo com menos problemas e mais justiça.

Fui tomado pela vontade de navegar esse mundo inteiro e dar ainda mais corpo nesta ideia, porém, meus compromissos me impedem de assumir tal projeto. Exatamente daí, e revendo os compromissos que já assumi, veio a pergunta contundente: O que você está fazendo de sua vida?

Ao procurar as respostas, com a garganta fechada, sem ar, quase envergonhado de minha inércia, ainda assim encontrei alguns motivos para pedir minha absolvição. Lógico que errei, e não foram poucas vezes, porém, sempre fui movido por valores maiores, norteado pela ética, e buscando muito mais que a riqueza, encontrar na harmonia com meu filho e com as pessoas que convivo, um verdadeiro sentido para a vida.

Mas não deixo de ter minhas vergonhas, diante dos tantos erros que cometi.

E nos limites dessa imperfeição, apenas penso se existiria alguma forma de compor uma música, ou de convidar as mais belas vozes, para fazer chegar o som de uma canção que levasse esta pergunta além dos limites de minha vida simples e rápida.

Quem sabe esta canção poderia chegar a uma multidão, propondo cinco minutos de reflexão, para que homens e mulheres, possam repensar as razões para sua vida. Tenho certeza que os homens e mulheres de bem, que se encontram engolidos pelo tempo de seu trabalho e obrigações de toda a espécie, poderiam olhar para o seu filho com um pouco mais de carinho e respeito. E não só entre pais e filhos, mas entre marido e mulher, entre amigos ou mesmo colegas, a pergunta poderia trazer uma reflexão muito positiva na vida de cada um, criando naturalmente um momento muito melhor do que este que vivemos.

E cumprindo o ciclo das palavras, qual não seria a minha alegria ao fazer estes políticos refazerem esta pergunta: O que você está fazendo da sua vida?

Considerando que o vício é uma enfermidade, tratam-se de doentes, viciados em dinheiro, fama e poder. Desconhecem as benesses da simplicidade. São devorados pelo constante desejo do “mais”. Jamais entenderão o verdadeiro significado do “igual”, ou do “menos”. Enquanto tentam multiplicar suas posses e sua influência, perderam a capacidade de dividir. Não sabem o valor do olhar de admiração de um filho. São desprovidos da capacidade de fazer-se amar pelo que são. São viciados pelos mimos das pessoas que se interessam apenas pelo que eles tem. Canastrões do palco do horror. Se perdem em viagens à Europa e são incapazes de viajar nos olhos de suas crianças. Tão fervorosos, erguem preces para agradecer o dinheiro da propina e não percebem as lágrimas nos olhos de Deus. Pobres enfermos. Espíritos sofredores dopados pelo luxo e pela superficialidade.

Enfermos cuja cura só pode brotar de suas consciências, isso quando, e se, o vício permitir que eles conversem com elas.

Quem sabe um dia essa melodia surja, e quem sabe tudo isso possa ser tratado depois como um momento brega, uma retórica piegas, porém, seja como for, se um dia tal canção me rasgar o peito e chegar a ser ouvida por você, tenha uma certeza. A certeza de que tanto quanto o autor deste projeto Song Around The World, eu terei encontrado mais uma razão para minha vida.

Tudo isso quando me surgiu em meio a melodia, a pergunta:

O que você está fazendo de sua vida?

 Agora quero saber o que você anda fazendo de sua vida. Acredite que pode ser tão importante pra mim quanto pra você.