Filosofia Curta e Grossa

O vendedor da loja chique vende mais por que é fresquinho, ou é fresquinho por que vende mais?

Anúncios

DE POUCAS PALAVRAS

FUTEBOL, MULHER E CERVEJA I

A combinação que ocupa o topo na lista das preferências dos brasileiros, nem sempre combina tão bem assim. No caso do jogador Adriano, num dia Imperador e no outro queimando os bigodes nas chamas de Roma que clareiam as Festas de Baco, parece estar com dificuldade de administrar as três linhas dessa marionete.

Mas pior ainda ficou o apoio prestado por seu Centurião Bruno, ao dizer “Vocês mesmo que é casado (no futebolês), quem é que não saiu na mão com a mulher?” No caso de Bruno, falar isso às vésperas do Dia Internacional da Mulher, confirma que o Futebol e a Cultura vivem aos tapas mesmo.

FUTEBOL, MULHER E CERVEJA II

Enquanto quem não deveria beber, pode, quem poderia não pode mais. O cidadão que passava a semana economizando para ir ao campo, assistir ao seu joguinho de futebol, tomar sua cervejinha, e depois voltar para a sua mulher, já não pode mais cumprir o roteiro que inundava o cotidiano romântico de um passado próximo.

Agora, sem venda de cerveja no campo, e com bafômetro na entrada do estádio, só quem pode beber é o Adriano mesmo. Tudo isso por causa de alguns imbecis que andaram consumindo mais do que álcool, o próprio juízo, a razão, o bom senso, a civilidade e a urbanidade.

POLÍTICA I – PRECONCEITO COM A FAVELA

Em meio a um discurso, nosso Luiz Hilário Lula da Silva diz que bandido não existe só na favela. Como se pode ver, tal discurso não era no Congresso e nem mesmo em Brasília. Pois com a versão soft do populismo de Chaves, se Lula estivesse num desses lugares, estaria defendendo o preconceito com políticos.

Mas realmente não é só na Favela que existe bandido. Qualquer um, por mais incauto que seja, já ouviu falar em mensalão. É só perguntar para Arruda, no horário de visita.

POLÍTICA II – QUEM PAGA A CONTA DA CAMPANHA

Enquanto Lula discursa o óbvio e banca o cafajeste, falando para a população o que ela quer ouvir antes de lhe dar, o voto (será que iria vírgula aqui?), carrega pela alça a sua candidata da bolsa família. O interessante é considerar que enquanto a candidata viaja pelo Brasil projetando seu rostinho, ninguém questiona sobre a sua presença nos palanques bancados pelos impostos que o povo paga. Ou será que o dinheiro vem de outro lugar? Afinal, quem paga a conta?

POLÍTICA E POLÍCIA I- BANCOOP

Suspeitos de bancar essas campanhas, inclusive a de Lula nas eleições anteriores, são os bancários de São Paulo. O Ministério Público descobriu que alguns dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Sacaram ao menos 18 milhões de reais na boca do caixa. Mas já estão sendo veiculadas materias que sugerem uma importância superior a R$ 30 milhões.

E dentre essas matérias, algumas vinculam a campanha da candidata do PT ao tesoureiro comprometido ( hoje coordenador da campanha de Dilma Rousseff ). O Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal do novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por envolvimento num esquema de desvio de recursos, de acordo com reportagem da revista Veja que chegou às bancas neste fim de semana.

POLÍTICA E POLÍCIA II – SEGURANÇA PARA ELE

Sou contra a tal proposta de um tal governador, que em breve será esquecido, em oferecer segurança policial que o garanta por algum tempo após o mandato.

Se nós paranaenses não tivemos segurança nenhuma durante seu mandato, é no mínimo pedagógico que ele sinta na pele como é viver sem segurança.

E para quem fez de seu mandato uma “ode à escolinha”, o lado pedagógico deve ter algum significado.

2012 – O ANO EM QUE O MUNDO NÃO VAI ACABAR

Enquanto os escândalos continuam balançando o barraco do PT, que quando cai não tem ninguém dentro, uma pedrinha de gelo que poderia refrescar a bebida do mundo inteiro se desprendeu da Antártida, colocando em alerta os cientistas e alertando ainda mais os alarmistas. De pronto, o filme “bem meia boca” 2012 ganhou a projeção que nem mereceria.

E para descabelar os aterrorizados, o terremoto no Chile e a movimentação de massa desse evento , segundo cientistas, provocou uma alteração na rotação da terra. E para fazer parar de respirar os descabelados aterrorizados, enchentes pelo mundo inteiro promovem o caos em vários países como fizeram na São Paulo submersa.

Em relação ao terremoto, sequer é própria a imputação do evento à fúria da natureza, eis que, a terra vem trabalhando pacientemente há mais de 4 bilhões de anos para colocar o Brasil onde hoje se encontra. O aquecimento global é fato, como é fato a interferência dele no clima mundial, porém o mundo não vai acabar. Muito provavelmente, acabe apenas a raça humana, e com ela, os escândalos do PT.

ECOLOGIA E HIPOCRISIA –

Enquanto isso, ecologistas promovem reuniões discutindo soluções para uma presença sustentável do homem sobre a terra. Enquanto a solução não aparece, toda espécie de entidades se engajam nesta tarefa.

Neste setor há muita gente boa envolvida, e realmente preocupada, porém, fica um tanto quanto questionável a presença de alguns “ativistas” que ao final da reunião, embarcam sozinhos em suas camionetes do tipo 18 cilindros, 2.917 cavalos de potência, que fazem duzentos metros por litro, enquanto cutucam a colcha de retalhos de ozônio com suas antenas.

PROFISSÃO E POLÍCIA – VAZAMENTO DO EXAME DA OAB

Embora a situação da advocacia não seja das melhores para a grande maioria dos profissionais, uma multidão está na fila para adentrar ao mercado da antes tão gloriosa atividade. O interessante, é que não bastasse a situação complicada que vive o mercado, com uma concorrência bastante acirrada (e quando digo bastante, é na verdadeira acepção da palavra), tem gente que tem a cara-de-pau de comprar a prova. Um cidadão deste, que tem o disparate, a falta de vergonha, de cometer tamanha sandice, deve ter ao menos a culpabilidade criminal avaliada mediante o devido incidente processual de insanidade mental.

Se as coisas continuarem assim, em breve teremos fraude no “Exame para Empacotador do Mercadinho da Tia Lurde”.

Ou será que o cidadão é herdeiro dos escritórios abastados, visitados por ministros de Brasília? É de se pensar, ou de se internar.

H1N1

Depois de levar uma vida inteira, resistindo em meus conceitos, creio que terei que passar pelo ridículo de pintar os cabelos e fazer uma recauchutagem na cara. Mas não é para melhorar minha aparência não. Na realidade penso nisso como forma de conseguir uma dose da vacina contra o Vírus H1N1, aparentando um pouco menos de idade (não ria), tendo em vista que só quem tem menos de quarenta tem direito a dose.

DIA DA MULHER, OSCAR E FRAMBOESA DE OURO

Merecidamente, elas conquistam enfim o prêmio maior do cinema mundial. Se o prêmio de melhor atriz e melhor ator dividiam os sexos, o prêmio de melhor direção fazia concorrer eles e elas. Assim, no Dia Internacional da Mulher, Kathryn Bigelow é 1a mulher a levar Oscar de melhor direção

, e com um gostinho especial ainda ao vencer o ex-marido, que apenas emplacou os prêmios técnicos. O mais interessante é comparar ainda o orçamento de ambos os filmes. Parabéns para ela.

Mas essas coisas da arte admitem episódios interessantes. Sandra Bullock ganha prêmio de Pior Atriz e ganha o prêmio de Melhor Atriz, em menos de 24 horas. Antes de subir ao palco no final do tapete vermelho, para receber a estatueta dourada por sua atuação em Um Sonho Possível, recebeu o prêmio Framboesa de Ouro de pior atriz neste sábado por Paixão Maluca. Bullock chegou à premiação com um trailer cheio de DVDs do filme para distribuir ao público.

– Algo me diz que vocês não viram o filme, porque eu não estaria aqui se vocês realmente tivessem visto e entendido o que eu estava tentando dizer –, afirmou ao receber o troféu.

O prêmio Framboesa de Ouro é entregue em Los Angeles na véspera do Oscar para os filmes considerados os piores do ano. Bullock foi aplaudida de pé quando chegou á premiação.

Entre outros premiados, Transformers: a Vingança dos Derrotados recebeu o Framboesa de Ouro de pior filme e A Reconquista, de John Travolta, foi escolhido o pior filme da década. Os Jonas Brothers foram nomeados piores atores pelo filme de seu show em 3D, enquanto Bullock e Bradley Cooper receberam o prêmio de pior casal das telas por Maluca Paixão. O troféu Framboesa de Ouro foi criado pelo jornalista John Wilson como a antítese do Oscar e é votado pelos membros da Fundação do Prêmio Framboesa de Ouro, aberta a todos.

MEU DISCURSO DE ELIMINAÇÃO DE PEDRO BIAL

Nesta casa, como em tantas outras, o individual tenta se colocar no coletivo. Cada indivíduo, por sua própria natureza, tenta ocupar seu espaço, e no inevitável desequilíbrio do movimento, nem sempre o espaço que almeja lhe pertence, e nem é proporcional ao seu tamanho ou necessidade. Nesses desequilíbrios os choques são inevitáveis. Como dois corpos estão condenados a jamais ocuparem o mesmo espaço, no encontro deles um haverá de se sobrepor ao outro. Um vencedor e um vencido. A glória e o silêncio no mesmo espaço de tempo, mas divididos injusta ou justamente para cada um dos antagonistas dessa história sem nome.

E é por isso, que nesta casa, como em tantas outras, quando há o choque entre duas pessoas ocorre o sismo da relação, rompendo o espaço, provocando tsunamis avassaladores, ruindo lares e despedaçando histórias. Após a catástrofe uns permanecerão, outros não. Entre os que permanecem, os novos choques são igualmente previsíveis e inevitáveis, até que finalmente, um indivíduo seja realmente o retrato da coletividade de outrora.

Assim como nesta casa, uns desejam impor seu ponto de vista aos outros. Pais tentam desesperadamente educar seus filhos, apontar-lhes um caminho escolhido por suas experiências, ditas ultrapassadas pelos jovens e pelo seu novo tempo, chocando-se o passado e o presente, a experiência e a sua pouca serventia no tempo atual. Enquanto o velho tenta evitar que o novo faça suas opções de acordo com a propaganda moderna, inutilmente tenta lhe trazer cores em um quadro preto e branco, sem nenhuma graça.

E é por isso que você, outrora tão admirado pela sua capacidade de dar a um texto a melhor leitura, e de escrever um texto próprio irresistível para a leitura de todos, parece ter feito a escolha errada, ao menos para esta casa. Não o vi fomentando o encontro de gênios altruístas, nem incentivando a reunião de cientistas que buscassem remédios menos amargos para as mazelas que destroem todas as casas. E por certo deve ter me passado despercebido a oferta de algum prêmio de um milhão e meio de reais, para o ganhador de uma competição onde todos concorressem com propostas e ideias para diminuir a violência entre humanos, e contra a terra que os acolheu.

E é por isso, por essa escolha errada, que você hoje deixa essa casa. Por ter desperdiçado tamanho talento com uma experiência antropológica de ética no mínimo questionável, em meio aos versos ensaiados sem nenhuma criatividade de acordo com a vontade dos patrocinadores, num “merchandising” nada autêntico proposto para as cobaias.

E ainda que a maioria pense diferente, que sejamos uma minoria fadada a derrota diante da opinião pública, hoje quem decide sou eu. Decido por educar meu filho, e não deixar que a televisão o faça para mim. Programas que tentam transformá-lo no mais cobiçado objeto de consumo: o próprio consumidor.

Hoje eu decido quem sai desta casa, levando consigo todas intenções escusas, seus patrocinadores, sua ideia populista e um ferro quente que pretende estampar na carne humana um número, um registro de consumidor. Prefiro manter-me e manter aos meus como seres pensantes, capazes de suas próprias escolhas, de decidir seus próprios erros, mas principalmente, capazes de viver sua vida conforme realmente desejem, e não, como lhes desejam.

E é por isso, que quem hoje sai da minha casa, apenas com meu voto, é você Pedro Bial, com seu Big Brother, patrocinadores, merchandising e propagandas diretas ou indiretas que este programa leva para os lares.

O dia em que meu voto superou seus “não sei quantos milhões”.

______

Ps.: Em 05 de maio postamos

PARABÉNS PELO DIA DA MULHER YOLANDA

Por tantas e tantas vezes, as linhas peculiares que desenham o comportamento feminino ocuparam o centro dos textos onde eu busquei alguma graça, sempre em função dos desencontros e desacertos com relação a simétrica conduta masculina, cuja graça eu jamais encontrei fora dos limites de um pai.

Mas hoje, no Dia da Mulher, falo de Yolanda.

Contaram-me que ela criou cinco filhos praticamente sozinha, enquanto seu marido se esgueirava pelas picadas de um Paraná sem estradas, buscando de forma honesta ganhar algum dinheiro. E eu conheci os seus cinco filhos, bem criados. Não bastasse os cinco, ainda adotou outros, que não tiveram a mesma sorte que os filhos seus. Também os conheci, e aprendi muito com os olhares de amor que dedicavam àquela que se fez mãe.

Falaram para mim que o dinheiro que o seu marido recebia como salário, era insuficiente para dar aos filhos o necessário. E por isso, ela na companhia das filhas, empalhava cadeiras no fundo do quintal, e com aqueles trocados que lhe cortavam a mão, comprava o par de sapatos de cada um dos filhos, sempre colocados com capricho para ir a escola, mas somente depois que cruzavam as ruas de lama. Na volta o ritual contrário era cumprido fielmente para proteger o sapato das intemperes do caminho.

Narraram-me o seu heroísmo no cotidiano árduo, sempre regido pela sua abnegação e dedicação à família, ainda que ela não tenha tido muito tempo para viver uma família com seu marido, que sempre distante, vez por outra não passava da imagem no único retrato da estante.

Descreveram-me tanto, que tantas vezes não conseguia ver tamanho ser humano em um corpo tão franzino. Precisaria eu cruzar minhas décadas até entender que a força não vem da coragem, ou dos músculos que sustentam o corpo, mas sim da honra em cumprir seu papel.

Eu precisaria pensar muito para entender aquela heroína. E hoje, tendo o privilégio de tê-la comigo quando já iniciou a décima década de vida, percebo que se ela é tudo isso, é por ter feito em si o mais belo retrato de uma MULHER.

E no Dia da Mulher, faço minhas homenagens presenteando-a com uma certeza neste mundo de dúvidas. A certeza de que seu heroísmo e honradez fez-se exemplo para a sua filha, e nessa filha tive a oportunidade de encontrar minha família, meus exemplos, e os conselhos e instruções para seguir meus caminhos, enfrentar minhas batalhas, e tentar escrever a minha própria epopeia.

E com essa homenagem à minha avó, e à minha mãe, quero agradecer a todas aquelas mulheres que nos inspiram para a vida. Mulheres sem nome, sem rosto, que nos dão uma lição de como se deve amar. Aquelas que nos revelam como realmente se deve doar-se ao outro. Essas mulheres que se apresentam impecáveis em seus escritórios e, num passe de mágica, transformam-se na menos vaidosa criatura quando estão com seus filhos no colo.

Mulheres durante tanto tempo caladas e injustiçadas. Mulheres que sequer encontraram justiça nos versos do mais talentoso poeta, eis que não creio que seja justo qualquer tristeza por se saber mulher, e que embora lhes seja próprio, não são feitas só perdão.

Apenas mulheres, sinônimo de graça, de sensibilidade, que realmente no demonstram que para a palavra heroína, sequer deveria existir o correspondente masculino.

FILOSOFIA CURTA E GROSSA (Samuel Rangel)

“Se a revista Cláudia é o retrato de mulheres bonitas, eu estou saindo com uma mulher Super Interessante”

A BUROCRACIA DO PRIMEIRO ENCONTRO

Depois de se conhecerem num desses acasos incríveis,  irresistivelmente despretensioso, eles se despediram e tomaram seus rumos, não sem antes tomar o cuidado de trocar telefone, rádio, email, msn, orkut, facebook e indicações dos seus respectivos blogues. E partiram cada qual em direção ao seu cotidiano irritantemente normal. Ainda no momento da partida, após cerca de vinte passos, ele olhou para trás, aparentemente para lhe apreciar as curvas. Após trinta passos ou mais, quem olhou para trás foi ela, para ver se o pegava no flagra. Como não se encontraram no tempo do olhar, apenas seguiram seus passos.

Durante os dias que seguiram aquele primeiro acaso, que não chegou a ser um encontro, ambos debateram com suas experiências o modo mais correto de entrar em contato, sem deixar de se preservar é claro. Ele pensava em mandar um torpedo, ou mesmo ligar com o famoso “opa… foi engano… mas como você está?” Ela pensava em mandar um email em PPT que sutilmente enviasse um sinal de fumaça para aquela mente masculina do tipo “Estou esperando você me ligar”.

E assim passaram-se os primeiro dias, até que, numa manhã em que ele falava com uma prima no MSN, um simpático quadradinho se ergue no lado direito da tela dando conta de que “Gê” entrou. E ele ficou ali se perguntando se deveria ou não iniciar uma conversa. Do outro lado ela vê “JUCA está on line”. Eles ficam inertes como uma atendente de “cal center”.

Num repentino arroubo de sua responsabilidade masculina, ele resolveu chamar. Depois daquele início dissimulado, e de palavras refreadas, naturalmente a conversa começa a evoluir, porém, cada qual tentando preservar sua imagem. Assim, passaram um bom tempo falando amenidades e bobagens, e após alguns dias e um número incontável de “kkkkkk” e “rssssss”, finalmente ele teve coragem e convidou-a para uma cerveja. É lógico que ela mais uma vez escondeu sua ansiedade pelo convite, e respondeu “pode ser”. Ela realmente conseguiria disfarçar, não fosse ela deixar escapar um comprometedor e transparente “quando”.

Tudo pronto, e por aí já teríamos tempo perdido o suficiente para escrever este texto, porém, o motivo mesmo surge no exato momento dessa proposta. Ele então se pergunta se a convida para uma cerveja ou um vinho. Ela nem tem barriga, e não deve ser muito de cerveja. Ela por sua vez fica esperando, louca de vontade de só sentar em alguma mesa e ver se ele pode ser a sua vigésima oitava tentativa de um bom relacionamento. Ele então se questiona: King Temaki ou Babilônia. Por ela pode ser em qualquer lugar. E assim ambos começam a perceber que estão se enrolando demais, e acabam deixando o messenger antes de decidirem qualquer detalhe do primeiro encontro.

Assim se passam todos os dias da próxima semana, sem que ninguém tenha um raio de luz sobre “quando, como e o que”. Ela já começa a pensar no outro rapaz, que conheceu na fila do cinema. Aquele parece ser bem mais desenvolto, tanto que, só no dia seguinte, foram mais de uma dezena de convites para ir a um motel. Ela não aceitou naquela oportunidade por que parecia que o outro só queria sexo, e se o assunto é só sexo, o amigo do primo dela era bem mais interessante, pois era discreto e além de tudo ainda trocava informações e conselhos sobre atuações íntimas.

Num certo dia, ele perdeu a linha, e criou a coragem que nunca antes se viu em seus olhos. Decididamente, na frente do chefe, abriu o messenger e ficou de plantão, tal qual o tigre espera o indiano incauto. Quando a tela surgiu, ele logo foi clicando em cima do “pedir atenção” e chacoalhando a tela dela. Ela se assustou e recebeu admirada a pergunta clássica sobre “o que vai fazer hoje”. Sem preocupar-se nem onde e nem o que, ele diz a ela que após o trabalho, liga pra ela para que façam algo.

Quando o Jornal Nacional acabou, ela o vê entrar novamente no messenger. Ela já havia desistido, pois pessoas honestas trabalham apenas até as 18 horas. Quem normalmente passa desse horário ou são advogados ou publicitários, e aí, valha-me Deus. Ele, sem saber da situação, avisa que em 15 minutos está passando lá, ao que ela responde que é impossível, e que é melhor deixar para o outro dia. “Já estou de pijamas e pantufas” diz ela. Ele então se irrita, mas sem demonstrar, pois revelar esse seu lado irritadão antes do primeiro encontro, é como colocar os ovos antes do óleo no omelete. Então usando de certa graça, ele diz que adoraria vê-la de pijamas. Ela diz que é impossível, e que está cansada.

Na realidade ela não estava nem um pouco cansada, e a adrenalina que havia acumulado enquanto esperava o contato do gracioso, era suficiente para manter os olhos dela bem abertos até as cinco da manhã. Ele insistiu e ela resistiu. E como homem que ele é, ele demorou a entender.

Na realidade a moça só queria ter tempo suficiente para realizar o “photoshop da vida real”: Banho, maquiagem, cabelo, escolher roupas e tal. É lógico que ela já havia feito tudo isso, mas ela havia tomado banho, maquiado o rosto, feito o cabelo e escolhido as roupas para sair as 19 horas. Sair agora, perto das 22 horas, era totalmente diferente. Eles não entendem que as mulheres precisam desse photoshop. Tentando convencê-la a resolver esse encontro de uma vez, ele nem percebeu que já eram quase 22 horas. E naquele momento, quem revelou o horário foi ela. “Não dá mais. Você está louco? Já são quase onze horas?” Ele, por ser homem, não tem noção de que o ritual leva quase uma hora e meia. O encontro ficou para outro dia. Como ele não havia entendido nada, recebeu como se fosse uma dispensa.

E eles então acabraam deixando o caso para lá. As conversas no messenger foram diminuindo, perdendo a graça, até que se limitaram ao “bom dia”, e depois nem isso. Ela desistiu e ele esqueceu. Ele deletou ela do orkut para que não visse mais seus “scraps”. Ela o bloqueou no messenger para poder conversar com tranquilidade com o rapaz do cinema.

Decretando o fim do que nem bem começou o tempo foi passando. Ele saiu com uma ex-namorada. Ela encontrou o rapaz do cinema. Ele percebeu o motivo pelo qual a ex-namorada era “ex”, e se deu razão pelo rompimento. Ela cansou das investidas do rapaz do cinema, e passou a estranhar alguns fetiches seus. E também foram deixando para lá as histórias que começaram depois.

Cerca de dois anos depois, ela resolve trocar de carro, e vê um anúncio interessante no jornal. Quando liga, ouve incrédula Juca se identificar. Eles riram da coincidência, e ele lhe passou o seu endereço, onde estava o carro.

Ela foi ver o carro no domingo pela manhã, sem maquiagem, sem fazer o cabelo, vestindo a malha que usava na academia. Se o melhor retrato de uma mulher é a revista Cláudia, ela era a “Super Interessante”. Ele saiu com a bermuda que usa para fazer o jardim.

Depois de olhar atentamente, ela resolveu comprar o carro. Negócio fechado. Ele a convidou para ir almoçar em um restaurante simples que ficava próximo de sua casa. Eles beberam algumas cervejas, e depois de acertados os detalhes sobre a venda do carro, foram ao parque Barigui para conversar. Ao lembrarem dos desencontros para o primeiro encontro, riram muito, mas não o suficiente para torná-los íntimos.

Após a perda da graça, ele pagou a conta, e ela se foi com o carro dele. Passaram uma semana sem se falar, até que ela o adicionou no messenger novamente. Ela o chamou para avisar que o motor do carro havia fundido.

Parece que hoje eles têm a primeira audiência no Tribunal Especial de Pequenas Causas, onde quase sempre se resolvem as grandes encrencas.

E se eles tivesse saído naquela primeira vez? Seria tudo diferente?

Mas esse encontro na justiça poderia ser outro, na Vara de Família para acertar os detalhes da separação, e quem ficaria com o carro na partilha dos bens.

Lá ela ela brigaria para ficar com o carro, com o motor fundido ou não?

E assim não começou, e nem acabou, nenhuma história de amor, pois compra e venda de veículo é mera relação comercial.

FILOSOFIA CURTA E GROSSA (Samuel Rangel)

MINHA LOUCURA QUEM SABE SEJA EXATAMENTE AQUELA PARTE ENTRE AS MINHAS E AS SUAS RAZÕES, ONDE NOSSAS EMOÇÕES NÃO SE ENCONTRAM”