FELIZES 46 ANOS!

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E este incômodo mês, que me faz correr atrás dos presentes que não consigo dar, que me coloca na balança sobre minhas conquistas e as perdas ao longo do ano, que me obriga a tentar fazer em quinze dias o que não conseguimos fazer nos trinta dias dos outros meses, esse mês cruel, que ano após ano, me coloca mais velho. Ele chegou.

Implacável ele me traz outros tons de cinza para os cabelos que não ajudam mais, outras tantas rugas de expressão, e aumenta as formas da barriga que não tive em minha juventude. Impetuoso, ele me mostra que já não tenho mais o mesmo fôlego de outrora. Não tenho mais a leveza para subir escadas, nem a disposição para longas caminhadas. Mas a idade que me dissuade da ideia de visitar as trilhas longas que percorri, me convida a percorrer as trilhas do pensamento. E pensando, como se quisesse zombar de Dezembro, eu sorrio espontaneamente.

Encontro conforto na ideia de envelhecer. Deixo de ter a obrigação com a juventude. Não sou mais obrigado a viver as minhas aventuras tolas. Hoje eu posso me dispensar de algumas bobagens. Não tenho que me sujeitar aos sonhos juvenis que me entorpeceram os passos. Posso lidar como artesão com a realidade do que tenho às mãos, e saber que já tive diamantes sob meus pés. Ainda que a realidade nem sempre seja a mais desejada, estou livre dos sofrimentos da ilusão. Hoje me percebo um senhor de 46 anos.

Exatamente isso. São 46 anos e estou feliz por isso. Busco neste número um sentido para minha comemoração. Tento encontrar algum jogo de palavras, uma trocadilho, ou um símbolo. Percorro todos os outros anos e não encontro nenhum sentido especial. Mas como a idade me desobriga, quando estou prestes a desistir, surge algo interessante.

São 46 anos sim.

E são 46 os cromossomos do ser humano.

Tenho 46 anos e 46 cromossomos.

Sou humano.

E posso dizer que nesta minha vida, era justamente o que eu tentava ser a cada momento, a cada tropeço, a cada vitória. Uma oração erguida toda noite para que um dia eu me encontrasse humano, realmente humano, no sentido mais valioso que isso pudesse ter.

Tenho 46 anos, e 46 cromossomos.

Nasci humano no aspecto biológico. Fui talhado pelas mãos firmes da educação de meus pais para transformar-me em um humano no sentido exato da palavra. Tropecei, errei, caí, sofri e fiz sofrer. A forja do meu ser humano, ao logo do tempo incandescia no fogo dos meus sentimentos e tantas vezes era resfriada pelas lágrimas da desilusão. Na forja do que meu querer ser humano, a têmpera veio pelas palavras ácidas que ouvi e que tantas vezes repeti. O convívio com amigos irmãos e irmãos amigos, trouxe metais preciosos para esta forja. A compactação do metal no peito, foi forjada pelos impactos com a realidade, da qual o homem não pode correr, e tantas vezes, será obrigado a bater de frente.

E hoje, forjado ao longo destes 46 anos, e justamente com estes meus 46 cromossomos, eu me tenho em conta de um homem…

… de um bom homem…

… de um SER HUMANO!

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E este incômodo mês, que me faz correr atrás dos presentes que não consigo dar, que me coloca na balança sobre minhas conquistas e as perdas ao longo do ano, que me obriga a tentar fazer em quinze dias o que não conseguimos fazer nos trinta dias dos outros meses, esse mês cruel, que ano após ano, me coloca mais velho. Ele chegou.

 

Implacável ele me traz outros tons de cinza para os cabelos que não ajudam mais, outras tantas rugas de expressão, e aumenta as formas da barriga que não tive em minha juventude. Impetuoso, ele me mostra que já não tenho mais o mesmo fôlego de outrora. Não tenho mais a leveza para subir escadas, nem a disposição para longas caminhadas. Mas a idade que me dissuade da ideia de visitar as trilhas longas que percorri, me convida a percorrer as trilhas do pensamento. E pensando, como se quisesse zombar de Dezembro, eu sorrio espontaneamente.

 

Encontro conforto na ideia de envelhecer. Deixo de ter a obrigação com a juventude. Não sou mais obrigado a viver as minhas aventuras tolas. Hoje eu posso me dispensar de algumas bobagens. Não tenho que me sujeitar aos sonhos juvenis que me entorpeceram os passos. Posso lidar como artesão com a realidade do que tenho às mãos, e saber que já tive diamantes sob meus pés. Ainda que a realidade nem sempre seja a mais desejada, estou livre dos sofrimentos da ilusão. Hoje me percebo um senhor de 46 anos.

 

Exatamente isso. São 46 anos e estou feliz por isso. Busco neste número um sentido para minha comemoração. Tento encontrar algum jogo de palavras, uma trocadilho, ou um símbolo. Percorro todos os outros anos e não encontro nenhum sentido especial. Mas como a idade me desobriga, quando estou prestes a desistir, surge algo interessante.

 

São 46 anos sim.

E são 46 os cromossomos do ser humano.

Tenho 46 anos e 46 cromossomos.

Sou humano.

E posso dizer que nesta minha vida, era justamente o que eu tentava ser a cada momento, a cada tropeço, a cada vitória. Uma oração erguida toda noite para que um dia eu me encontrasse humano, realmente humano, no sentido mais valioso que isso pudesse ter.

 

Tenho 46 anos, e 46 cromossomos.

Nasci humano no aspecto biológico. Fui talhado pelas mãos firmes da educação de meus pais para transformar-me em um humano no sentido exato da palavra. Tropecei, errei, caí, sofri e fiz sofrer. A forja do meu ser humano, ao logo do tempo incandescia no fogo dos meus sentimentos e tantas vezes era resfriada pelas lágrimas da desilusão. Na forja do que meu querer ser humano, a têmpera veio pelas palavras ácidas que ouvi e que tantas vezes repeti. A compactação do metal no peito, foi forjada pelos impactos com a realidade, da qual o homem não pode correr, e tantas vezes, será obrigado a bater de frente.

 

E hoje, forjado ao longo destes 46 anos, e justamente com estes meus 46 cromossomos, eu me tenho em conta de um bom homem…

… de um SER HUMANO!