QUANTAS CORES TEM O CÉU DA ILHA DO MEL?

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Do escuro absoluto, o vento desvenda a Lua, não em sua plenitude, mas assim, como se virasse de lado para ver nascer o amigo sol. Logo um clarão vermelho toma um pequeno espaço do céu. E aos poucos o vermelho se espalha. São seis horas da manhã. O dia vem rompendo a hora. Anuncia o sol para o domingo na Ilha do Mel. E como uma criança curiosa, tenho vontade de perguntar ao pai quantas cores tem o céu? Uma para cada anjo eu me respondo. E cada tom, cada cor, vem cruzando o céu e pintando a Ilha do Mel. O vermelho do Tiê Sangue vem daí eu acho. Aquele azul do mar está no céu. A cor do mel vem bem de pertinho do sol. Todas as cores se juntam mesmo é na Saíra Sete Cores. E tudo vai ficando claro, mais claro, e mais claro, até que a única pergunta que resta, é por qual razão nós, que temos este paraíso tão perto, vivemos tão distantes de toda a beleza?

Sem resposta, fico em silêncio, envergonhado, pedindo que meu filho me poupe de fazer tal pergunta um dia.

A DIFERENÇA ENTRE MANDADO E MANDATO …

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Uma sugestão para solucionar o impasse entre Câmara e STF. Enquanto o Maia arrisca cantar de galo, com a constituição debaixo da asa, ele tem que pensar em uma outra questão e descer o tom das bravatas. Se a Constituição estatuiu que é a Câmara que decide sobre a perda do mandato, a mesma constituição, em páginas bem escritas, diz que cabe ao judiciário mandar prender ou soltar. Fica fácil então. Se eles não querem promover a perda do mandato, o STF expede o mandado de prisão para os condenados. É a diferença entre mandato e mandado resolvendo o caso. Pronto. Simples solução, e “ado ado ado, cada um no seu quadrado (ou seria ver o sol quadrado?)

 

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UM DISCURSO CHAMADO ESPERANÇA

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O Discurso de Posse de Gustavo Fruet, proferido ontem, na rua, perante a sede da Prefeitura Municipal de Curitiba, pelo seu conteúdo, pela firmeza com que foi sustentado, e pela força dos valores que sustenta, traz um fio de esperança para todo cidadão que ama Curitiba.

“…

Fiz o caminho inverso: abri mão do conforto de permanecer no governo, de ter cargos no governo, de envolver-me com negócios com governos ou de comprar concessões de serviços públicos. Optei por recomeçar na rua, com o povo. A prática é melhor e mais firme que a retórica, em especial dos bufões!

Novamente, não priorizo critérios e medidas tradicionais para garantir espaço a mudanças. Esta deve ser a gestão que mais priorizará a oportunidade de mudança dentro da estrutura, valorizando quadros da própria Prefeitura. As mudanças não têm o objetivo de marcar quem será substituído reconhecendo avanços e superação ao longo das gestões. Mas, a eleição sinalizou caminhos novos. Também por isso, reitero: não serão dias fáceis!

Muitos dos que participam deste momento não acreditavam e até trabalharam contra nosso projeto.

Mas tranquilizo a todos. O tempo do rancor e das bravatas já passou. Vivemos na sociedade do futuro. Onde homens e mulheres têm direitos iguais e trabalham lado a lado pela evolução da sociedade. Esta deve ser a era dos responsáveis.

E neste momento, faço a homenagem a todas as mulheres que participam desta caminhada, lado a lado, na pessoa da vice-prefeita Miriam Gonçalves que sintetiza a luta deste projeto desde sua origem.

Nosso desafio é imenso! Clareza e firmeza nas posições com maturidade para o diálogo. Nossa administração não trabalhará com privilégios ou perseguições. Administraremos para melhorar a vida de todos que vivem, trabalham e amam nossa cidade.

Ao longo dos próximos quatro anos, quero ter como parceiros de administração a presidente Dilma Rousseff, o governador Beto Richa e nossos parlamentares. Por seis anos, nosso atual governador administrou Curitiba. Viveu a dificuldade de cuidar de nossa cidade em momentos de confronto. Por isso, tenho certeza de que sempre se manterá sensível as demandas de nossa querida cidade.

Como afirmamos durante a campanha, pela primeira vez na história, o Estado do Paraná ocupa postos estratégicos no Governo Federal desde o início. O ministro Paulo Bernardo nas Comunicações e a ministra Gleisi Hoffmann na Casa Civil já demonstraram disposição de ajudar a avançar no diálogo com a União. Agradeço todo incentivo e apoio nesta caminhada e neste novo desafio.

Na democracia, as diferentes esferas de Poder devem trabalhar de forma articulada para beneficiar a população.

Peço a todos um prazo para avaliação da administração.

Em 100 dias, poderei dizer com clareza como estava e como está a Prefeitura que assumimos. Ao longo deste período, avaliaremos contratos, dívidas, pessoal, projetos e capacidade de endividamento. É urgente verificar a razão de dívidas, restos a pagar, empenhos cancelados, serviços não pagos, obras incompletas e até mal executadas e os equipamentos inaugurados no final do ano sem contratação de pessoal para manutenção.

Também passaremos um pente-fino nos cancelamentos de empenhos, na suspensão de equipes de manutenção, nos projetos anunciados sem a devida contrapartida de órgãos federais.

Neste sentido, nos próximos dias, dedicaremos especial atenção à análise de algumas heranças que estão sendo deixadas. Devem ser inclusive maiores do que imaginamos. Mas, neste momento, posso citar o rombo no transporte coletivo, que se agrava com passivos, déficits, distância entre custo e tarifa e com a possibilidade de suspensão do subsídio, que foi criado em ano eleitoral. Tudo isso após recente licitação, que deveria garantir o equilíbrio do sistema por muitos anos.

Cito também paralisação de obras, como na Avenida Fredolin Wolf e da Linha Verde Sul.

Também teremos que administrar o atraso e dúvidas em obras do PAC da Copa, como Avenida Marechal Floriano Peixoto, viaduto estaiado, reforma da rodoferroviária, revitalização da Avenida Cândido de Abreu e o repasse de potencial construtivo para obras na Arena.

Vamos confrontar os dados recebidos com o real diagnóstico.

Os primeiros indicadores apontam uma situação, no mínimo, desconfortável, incomum para a história de Curitiba. Não vamos paralisar ou reclamar, mas de forma transparente e por obrigação, iremos apresentar a situação para a cidade, inclusive o brutal número das dívidas.

Como já disse no discurso na Câmara, há 24 anos não tínhamos alternância de poder na administração de Curitiba. Daí a importância deste levantamento.

Não tenho dúvida de que nossa forma de governar irá contrariar interesses há muito arraigados. Mas não temos medo. O que nos move é a vontade de fazer história, administrando com os olhos voltados para o futuro e para os mais simples. São essas pessoas que mais dependem de nós.

Desmandos não serão tolerados. Deixo aqui um alerta aos membros da equipe. Os recursos e o patrimônio público são sagrados. Quero que todos tenham a humildade de reconhecer seus erros de imediato e de colocar o cargo à disposição. Nossa passagem pela administração municipal é temporária, mas os interesses dos curitibanos são permanentes.

Não há espaço para vaidades ou espertezas. A prioridade é o bem comum e a evolução da cidade que amamos.

Para terem valor, propostas não precisam ser registradas em cartório. Precisam ser cumpridas. Seguindo o conselho da presidente Dilma Rousseff, estamos montando uma equipe que tenha competência para idealizar e executar projetos. Com início, meio e fim!

Tenho certeza que algumas expectativas individuais estão sendo contrariadas na escolha do nosso time. Mas volto a pedir humildade e compreensão. O que está em jogo é a qualidade de vida de quase 1,8 milhão de habitantes. Agora, nos deparamos com o desafio de apresentar projetos viáveis e inteligentes para contar com o apoio do Governo Federal.

Ao longo da campanha, apresentamos nossa proposta de governo e ela foi reconhecida pelos eleitores como a capaz de promover justiça social e reconduzir Curitiba ao posto de cidade de vanguarda, sustentável, inovadora e criativa, que encontra soluções inteligentes e simples para os problemas enfrentados nas grandes metrópoles.

Temos gargalos na área da mobilidade, da segurança e da saúde. Acreditamos no plano de governo e levaremos adiante todas as ideias nele contidas. Nestes primeiros 12 meses, já colocaremos em prática algumas medidas. Na educação, quero ser o prefeito que irá deixar um legado imaterial para nossa cidade. Nossa meta é ampliar a média de permanência dos curitibanos na escola. Isso trará benefícios sociais, na economia, na saúde, nos esportes e na segurança. De Brasília, nos foi repassada a informação de que recursos para construção de creches estão praticamente assegurados para 2013. Com estes recursos e o orçamento podemos implantar pelo menos 20 novos CMEIs neste ano. Isso irá ajudar a cumprir nossa meta de abrir 15 mil novas vagas nos próximos quatro anos. Na saúde, até o final de 2013, estar emos com os projetos dos Hospitais da região norte e da Mulher na região sul encaminhados para início de execução e a implantação de novos CMUMs. Este ano também reformaremos ao menos 50 unidades básicas de saúde. Já no primeiro semestre, vamos ampliar o horário de atendimento nas unidades de saúde onde há maior demanda, principalmente na região sul.

Não vamos mudar projetos arquitetônicos apenas porque foram idealizados por outros gestores. Mas vamos trabalhar com projetos sustentáveis, onde a utilização de energias renováveis será prioridade.

Ao final deste ciclo de quatro anos, quero ser lembrado como um prefeito democrata, que promoveu avanços na área social, que deixou um legado na educação e resgatou o conceito de cidade sustentável, que no momento está em risco por conta do acelerado crescimento que Curitiba enfrenta. A vinda de bicicleta na posse simboliza esta transição.

Com meu pai, Maurício Fruet, aprendi a fazer política. Também dedico à sua memória este momento. Mas também aprendi a fazer política com o povo. Percorrendo as ruas, conversando e aprendendo com a população. Por isso, tenho dificuldades com alguns setores da política tradicional. Os que se acham donos do processo. Só assim sei trabalhar. Só quero que todos compreendam que nossa responsabilidade não nos permite a adesão cega a todo e qualquer clamor de grupos ou partidos. Ninguém esqueça jamais a recente decisão do Supremo Tribunal Federal! Até porque, muitas vezes, em busca de legitimidade, interesses particulares estão revestidos por um aparente clamor popular.

Lembro as palavras do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa. A postura que busco é a postura sem firulas, sem floreios e sem rapapés. De nada valem as melhorias nas vias urbanas, na saúde, no transporte, na segurança se elas não forem para todos.

Quero mais uma vez agradecer a todos que acreditaram em nossas propostas e no nosso jeito simples de fazer política. Aliás, ao longo da história, a simplicidade sempre foi a marca dos grandes inventos e das grandes soluções. É esta capacidade de encontrar soluções simples, sempre inteligentes e ousadas para os problemas de uma grande metrópole que Curitiba precisa resgatar. Encerro meu discurso de posse convocando o secretariado para que amanhã assumam suas funções e comecem o trabalho. Nossa primeira reunião será na próxima sexta-feira, dia 4, no IPPUC. E com este gesto, deixo registrado o objetivo incansável de fortalecer esta instituição.

Mais uma vez, desejo um ano de prosperidade, verdadeira mudança e saúde a todos.

Que Deus nos ilumine!”