NOITE DE AMOR (Samuel Rangel)

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É sábado. Os amigos se reúnem para uma costela e um torneio de truco. Não pude ir, pois meus compromissos com os textos da peça, e o jogo do Coritiba e Ceará, impediam esse vivente de se fazer presente na chácara do amigo.

Então, pouco antes do apito que iniciou o jogo, cheguei ao Bar do Ítalo, para ver meu glorioso verdão se virar nos dois a zero contra a equipe do nordeste. Mas valeu muito a pena, apesar das tolices desse e daquele jogador.

Ao final do jogo, chacoalho as calças para me retirar do recinto, pois a turma da noite começava a chegar. Não acho que deveria enfrentar outra maratona como a de ontem, onde gravando o CD a cerveja havia me acompanhado durante a noite inteira. Então, pelo juízo, vou-me embora para minha casa, pois lá sou amigo do dono, terei em minha cama as cobertas que escolherei.

Quando estou ao balcão, chega a turma do churrasco. Meu Deus!!!!!! Parecia uma bandinha entrando no circo. Um mais torrado do que o outro. E antes que eu pudesse parar de rir, me convidaram então a sentar-se à mesa. Era difícil conversar dentre tantas gargalhadas. Quando perguntei quem ganhou o torneio, não souberam me responder. Então vi que o caldo tinha menos galinha do que eu imaginava. Francamente, a coisa foi feia. Nunca havia visto alguns deles em tal condição.
Então um deles, após me contar que a maratona havia começado na padaria as oito horas da manhã, diz que vai embora. Como educado, perguntei sobre sua esposa, e ele me disse que estava tudo bem. Perguntei então se ela estava viajando.

Essa pergunta foi sim reflexo da experiência que tenho em relação aos meus amigos, pois quando suas esposas viajam, eles ficam mais risonhos, mais soltos, e normalmente, mais embriagados. E ele me disse que ela não havia viajado. Ela estava em casa, esperando.

Sem que pudesse segurar, soltei o meu famoso “Meu Deus”.

O amigo então questionou o motivo de tal frase. Como a sinceridade me conduz, inclusive nos momentos que eu adoraria que ela me abandonasse, disse a ele: E você vai chegar em casa nesse estado? A noite não vai ser Fácil.
Então comecei a rir em conjunto com algumas testemunhas que se dizem meus amigos.

Ele então disse: “Que nada. Vou para a casa e ter uma longa noite de amor.”

A resposta pareceu saltar da minha boca antes que eu pudesse pensar.

Respondi:

– Realmente, vai ser uma noite de amor.

Sua mulher vai passar a noite dizendo:

Amor, pare de roncar!

Amor, não mije na geladeira!

Amor, eu acho que você exagerou!

Amor, teu bafo esta de matar!

Amor desista, isso não vai funcionar!

Amor, pare de cantar essa música. A letra não é assim!

Amor, se você passar a mão na bunda do cachorro mais uma vez eu vou ficar brava!
Então, na minha filosofia pequena e despretensiosa, descobri que o tanto de vezes que uma mulher te chama de amor, não significa o quanto ela te ama. As vezes esta mais relacionado ao número de cervejas que você bebeu e a paciência que a sua “Madre Tereza” tem com a sua criatura.

As mulheres são complicadas, e isso é bem verdade, mas também não podemos lhes fazer as críticas de costume, pois se elas tivessem alguma razão, não gostariam de homens.

Ao ouvir um “Meu Amor”, tente olhar para os olhos dela para saber o que isso significa. Nem sempre quer dizer “Eu te amo”.

Entendeu? Não?

Então leia amanhã quando acordar.

NOITE DE AMOR (Samuel Rangel)

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O CRAQUE – A TEORIA DA RELATIVIDADE APLICADA AO FUTEBOL

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Existe uma versão da Teoria da Relatividade para o futebol. É quando a bola chega nos pés do craque que tudo muda. O relógio parece parar, e tudo é mais lento quando o craque faz rolar o couro. Um passe é uma poesia, da esfera que rola perfeitamente sobre a grama até alcançar os pés do companheiro de time, que recebe a bola no espaço que ninguém viu. Um craque é sempre um gênio. E nosso craque é como se Albert Einstein tivesse nascido para o futebol. Como pode? Ninguém havia visto. Aquele espaço não existia antes da poesia do craque. Enquanto se vê o esforço de todos no campo, o semblante do craque parece ter uma serenidade diferente, pois o tempo para ele é mais amável. Antes de receber a bola, ele já sabia onde deveria estar, e provavelmente o que iria fazer. Uma poesia de tempo e espaço escrita com os pés perante uma multidão enlouquecida, orgulhosa do seu craque, do seu time, da história que o presente conta.

A falta está marcada. O primeiro tempo está acabando, e o placar é desfavorável. Um sabor amargo do resultado que não se quer. Quando o tumulto e as reclamações do outro time param, lá está o craque. A bola caprichosamente colocada embaixo do braço. O relógio para. O tempo para. O espaço muda. O espaço cresce. Sem respirar os segundos viram horas enquanto o craque está com a bola. Do amargo da derrota, vem o doce da esperança, da confiança. Como é bom crer no talento do craque, de saber que ele resolve, e está do nosso lado. O pé direito está atrás, e o esquerdo na direção da bola. Ele olha para o gol sem qualquer expressão. Durante aqueles segundos em que o tempo para, os olhos miram apenas o goleiro. Como se fosse em câmera lenta o juiz autoriza, e o craque vai correr para a bola. A perna esquerda volta para trás e dá o impulso. Depois do passo com a perna direita, outro da esquerda, o coração parece parar antes do último passo com a perna direita, a perna esquerda segue na direção da bola. O pé toma a posição para o chute, e o tempo não passa, tudo está em câmera lenta. O craque está indo em direção da bola na perfeita confirmação da teoria da relatividade. De forma mágica, quando o pé do craque impacta a bola de forma perfeita, o tempo resgata o atraso. Como se o tempo disparasse até retomar a ordem natural, o tempo corre de forma tal que não se oferece a mais ninguém. Pobre goleiro que não tem tempo. Justamente este goleiro, que naquele mesmo gramado havia feito milagres tempos antes quando defendia o Figueirense, era vítima do tempo. A bola em uma fração de segundo sai do pé do craque e vai caprichosamente se dirigindo ao ângulo. O goleiro se joga, mas sem qualquer chance de alcançar a bola. As mãos tentam alcançar, mas o destino está traçado pelo craque. Não é demérito Wilson. É a magia do craque, a teoria da relatividade aplicada ao futebol. É a poesia escrita com os pés. Um grande goleiro que ficou pequeno diante do craque.

Coisas do futebol…

Coisas do Alex, do Alex do futebol…

Alexsandro de Souza…

Alex da camisa 10…

Alex do Fenerbahce, dos torcedores da Turquia…

Alex do sorriso simples, da disciplina de atleta …

Alex da Daiane …

Alex, mas sempre, e graças a Deus, Alex do Coritiba.  

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SANTOS X CORITIBA – UMA FINAL

Movido pelo batuque deste Coração Coxa, que quase me matou no último domingo, quando vi o carrasco Marcão com a bola nos pés, e a liderança do Brasileirão nas mãos, esbarrar no talento e puro reflexo de Vanderlei, o Mágico. Desde então, e orgulhoso do meu time, tenho me concentrado no próximo jogo, Santos e Coritiba, na Vila Belmiro.

Não parece ser só um jogo. Parece na realidade, ser uma final, aliás, acho que o Brasileirão 2013 deve seguir a mesma linha, a cada rodada. O Coritiba invicto, liderando o campeonato após sete rodadas, tem a difícil tarefa de encarar o antigo time de Neymar Junior, que de forma incrível, consegue extrair verdadeiros craques de suas categorias de base. De Pelé a Neilton, passando por Robinho e Neymar, temos absoluta consciência de que o Santos tem em sua estrutura a grandeza de conseguir manter um bom nível de futebol, mesmo vendendo suas peças mais caras.

Mas o Coritiba, que enfrentou de forma valente o Flamendo no Mané Garrincha, vai agora ao litoral paulista encarar com coragem o Santos. Temos em nosso elenco grandes craques, e um Alex que dispensa comentários, e é capaz de despertar no mais cético coxa, um otimismo grande.

Trazer um empate da Vila Belmiro, é manter-se como único invicto em uma competição que não é nada fácil, e isso engradece o moral do time. Mas vencer o Santos lá, e mandar um cartão de visitas a todos os times do Brasil: NÃO ESTAMOS DE BRINCADEIRA!

Quem sabe por isso, tenho encarado este jogo como uma final. Sem ter que se preocupar com a Copa do Brasil, temos condições de manter o foco, e preparar uma grande surpresa para o futebol brasileiro. Temos condições sim de disputar o título nacional de 2013, e que nos levem a sério, pois aos descuidados, reservamos as supresas de Alex, o talento de mais 10 guerreiros.

FORÇA COXA! Vamos meu verdão. Vamos em busca da vitória que uma Nação Alviverde está ao seu lado para apoiar.

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“O ano do Coritiba?

Entenda por que o próprio Coxa pode impedir o Coritiba de ser campeão brasileiro em 2013

Uma revolução silenciosa acontece no futebol do Sul do Brasil. Ela se chama Coritiba Foot Ball Club. Surpreso com a liderança e a invencibilidade do Coritiba no Brasileirão? Pois não se surpreenda. O Coritiba é um dos grandes clubes brasileiros. Se não é reconhecido assim pelo resto do Brasil, é culpa de um certo complexo de vira-latas (nós, cronistas esportivos, adoramos citar Nelson Rodrigues) e em parte por preconceito do resto do país contra o futebol do Paraná.
O Coritiba sempre foi grande. Suas glórias vão muito além do solitário título brasileiro de 1985, conquistado diante de mais de 90.000 cariocas torcendo para o Bangu no Maracanã, na noite de 31 de julho daquele ano da graça coxa-branca. É o maior do Paraná indiscutivelmente, embora essa afirmação possa fazer meia Curitiba encomendar minha cabeça. Provavelmente, o Coritiba é o único time da capital que tem a simpatia de torcedores do interior paranaense — e isso foi forjado no comecinho dos anos 70, quando o presidente Evangelino Costa Neves formou um esquadrão para encarar o Brasil. O goleiro Jairo, o lateral Hermes, o zagueiro Pescuma, o capitão Hidalgo, o meia Negreiros, o ponta Aladim e principalmente a dupla de atacantes Paquito e Tião Abatiá, comandados pelo técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, faziam o Paraná parar nas tardes de domingo para ver na televisão os jogos do Coritiba contra os grandes times brasileiros, direto do estádio Belfort Duarte (nome original do Major Antônio Couto Pereira até 1977).Houve um jogo, pouco tempo depois que o Atlético Mineiro se tornou o primeiro (na época) campeão brasileiro, no Belfort Duarte, em que Tião Abatiá encarnou o espírito de Garrincha e provocou uma das maiores exibições de técnica da história do futebol. Ele aplicou uma impressionante sucessão de dribles nos zagueiros atleticanos, um vaivém rumo ao gol, todos contra um, tentando roubar a bola que se mantinha em seus pés, até que acabou ficando cercado, mas Abatiá ainda levou a bola à beira da grande área e, numa virada surpreendente, cruzou para Leocádio cabecear na cara do gol… mas a cabeçada saiu por cima. Um pecado. Este seguramente foi o lance mais antológico da história do futebol paranaense, repetido dezenas de vezes nos programas esportivos das TVs Iguaçu (Curitiba), Coroados (Londrina) e Tibagi (Apucarana).

Antes de Internacional e Grêmio tornarem-se os queridinhos do Sul, o Coritiba já elevava o nome do futebol sulista a uma posição de prestígio nacional. Em 1973, foi convidado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) para disputar o Torneio do Povo ao lado do Corinthians (campeão de 1971), Flamengo (campeão em 1972), Atlético Mineiro, Internacional e Bahia. Deu Coxa. O título veio no dia 15 de fevereiro de 1973, na Fonte Nova, num empate com o Bahia.

Quando o Coritiba ganhou o Brasileirão de 1985, fechou um ciclo vitorioso do futebol do Sul, com os títulos do Inter em 1975/76/79 e do Grêmio em 1981. Foram cinco títulos em 11 campeonatos! Mais até: estava fazendo justiça, pois o Coritiba já poderia ter sido campeão ou pelo menos vice em 1980, quando realizou uma campanha espetacular, liderada pelo artilheiro Freitas, aquele dos golaços no Fantástico, e só parou porque encontrou pela frente o imbatível Flamengo de Zico. Mesmo assim vendeu caro sua derrota na semifinal, que terminou 4-3 para o Mengão.

Se os anos 70 foram a “década de ouro” do Coritiba, com o hexacampeonato paranaense (1971 a 1976) e grandes participações no Brasileiro, a década atual ruma pelo mesmo caminho. O Coxa é o atual tetracampeão paranaense (2010 a 2013). Por duas vezes seguidas, em 2011 e 2012, foi vice-campeão da Copa do Brasil. Perdeu esses dois títulos por detalhes, pois seu time era superior ao Vasco da Gama de 2011 e ao Palmeiras de 2012. Foi o tal complexo de vira-latas dando as caras. Mesmo assim, o Coritiba assegurou um espaço no Guinness Book, devido ao recorde de 24 vitórias consecutivas em 2011. Este ano o Coxa já foi eliminado da Copa do Brasil. Melhor para ele, pois pode se dedicar totalmente ao Brasileirão.

E qual é o segredo do Coritiba? Trabalho. Trabalho da maneira correta.

Depois do vexame de 2009, quando foi rebaixado no ano de seu centenário e viu sua torcida quebrar o Couro Pereira num espetáculo assombroso, o clube se reergueu, a torcida se uniu, a diretoria formou bons times e para 2013 conseguiu trazer o craque Alex (foto), ex-Palmeiras e Fenerbahce, ainda em ótima forma. Com Alex ao lado de jogadores como Escudero, Bottinelli, Deivid, Keirrison e outros menos conhecidos, só que bons de bola, o novato técnico Marcos Vinícius Santos Gonçalves (campeão mundial Sub-15 em 2011 e campeão paranaense em 2013), tem comandado o Coxa para se manter com firmeza na liderança. Em sete rodadas, é o líder, único invicto, tem 71% de aproveitamento e já bateu campeão e vice do Brasileirão 2012 (Fluminense e Atlético Mineiro), além do maior rival (Atlético Paranaense). Este, aliás, merece uma crônica à parte, pois teve uma atitude arrogante, abandonou o estadual, foi brincar de amistosos pelo mundo e agora está na zona de rebaixamento.

O estádio Couto Pereira já recebeu 65.493 pessoas em 1983, no jogo Atlético Paranaense 2-0 Flamengo (tempos  em que o rival tinha Washington e Assis). Sempre inacabado, o estádio, cuja capacidade atual é de 37.182 pessoas, finalmente terá o terceiro anel completado em 2014, abrigando modernos camarotes e cadeiras com a melhor visão do gramado. Ficará pronto em 2014 e aumentará a capacidade do Couto Pereira para 42.005 pessoas.

Hoje o Coritiba é um clube de verdade, com 33.000 sócios-torcedores que garantem aos seus cofres uma renda superior ao da TV Globo, da Nike e da Caixa Econômica Federal, três marcas de peso que colocam dinheiro no time devido ao poder aquisitivo da fanática torcida coxa-branca.

Mas nem sempre foi assim.

No final de 1982, quando recém-formado jornalista fiz minha primeira reportagem no Alto da Glória (bairro onde fica o estádio coxa), encontrei um time desclassificado das finais do Campeonato Paranaense, com salários atrasados, e tentando retomar a vida para o ano seguinte. Escalado para cobrir a apresentação do técnico Chiquinho, acabei sendo o único repórter a participar da preleção do novo treinador aos jogadores coxas dentro do vestiário! Como ninguém me conhecida, os jogadores devem ter achado que eu era filho do técnico. E o técnico deve ter achado que eu era filho de algum diretor. Enfim, naquele ambiente de derrota, Chiquinho disse: “Vocês estão desclassificados das finais do Estadual, mas não devem desanimar. Hoje iniciamos uma jornada que vai nos levar ao título brasileiro”.

Essas palavras estão registradas nos arquivos da Tribuna do Paraná. Três anos depois, já mais conhecido e sem poder entrar no vestiário, fui contratado pela revista Placar para fazer a reportagem de apresentação do Coritiba para o Guia do Brasileirão 1985. Entrevistei o técnico Ênio Andrade, que fora campeão em 1979 com o Inter e em 1981 com o Grêmio, e ele vaticinou: “Queremos o título brasileiro”. Placar publicou e o título veio no Maracanã, diante de 91.257 pessoas que conheceram a força coxa-branca. Jogadores como Rafael, Jairo, Gomes, Heraldo, Vavá, Dida, Hélcio, Marco Aurélio, Tobi, Lela, Índio, Gil, Paulinho e Aragonés, entre outros, até hoje são reconhecidos como heróis.

Está na hora de essa história se repetir. Futebol o time tem. Mas vai precisar derrotar seu próprio medo de ser feliz, coisa que não conseguiu em 2011 e 2012.”

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( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 1 9 8Sergio Quintanilha
Sergio Quintanilha, jornalista, é redator-chefe da revista Motor Show e foi diretor da “FourFourTwo”

CORITIBA 2 X 3 PARANÁ – Canja de Porco e Dias Cinzas

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E a segunda-feira começou dolorida, cabeça inxada, ecoando na lembrança a narração dos três gols do Paraná. Ao mesmo tempo, convivem no peito duas emoções diferentes. Uma vontade de presentear o Zagueirão Pereira com um Código Penal atualizado e comentado. O que é isso zagueiro? Uma tentativa de homicídio? Sim. Segundo os emergentes defensores do dolo eventual, quando a lesão pode causar a morte, o agressor assume o risco de matar. Cuidado companheiro para não fazer companhia ao ex-deputado, até porque, pelo tamanho da patada, 60 quilômetros horários já é crime. Mas tenho que me concentrar para lembrar que o assunto é futebol e não direito, então, joga direito Pereira. Por favor!

Mas há de se convir que tem dias que nada dá certo. Dá até a impressão que como alguns dizem, tem dias que de noite é “broca” (usei do meu vernáculo para melhorar o nível). Em certo dias, se jogamos dois ovos em uma frigideira com azeite quente, na hora de servir vira sopa de giló. É bem isso. Jogamos as melhores frações de um porco, em uma panela de pressão profissional, junto com o melhor feijão, o tempero perfeito, e quando vai servir …

MEODEOS! UMA CANJA! UMA CANJA DE PORCO!

É assim mesmo companheiros. A vida é feita de fases, e nenhum ser vivente haverá de passar pela vida sem ter que cruzar a eternidade de um dia ruim. E quando digo ruim, digo muito pior do que isso. Provavelmente Pereira tenha recebido a visita da sogra ontem. Quanto a Willian? Justamente ele, que sempre foi um símbolo da garra Coxa, e uma das mais reluzentes pratas-da-casa, tinha que fazer aquela lambança no terceiro gol? Com certeza Willian recebeu ontem um notificação da Receita Federal dando conta de que não receberá nenhuma devolução. Caiu na malha fina, tal qual a redonda estufou as malhas largas da rede de Wanderlei. Ah Wanderlei… O que fazer diante do drible desconcertante que Reinaldo deu nele mesmo? Nada a declarar.

Quem sabe deva protagonizar o texto deste Coxa-branca um goleiro. Um Goleiro Paranista. Exatamente. Luiz Carlos. O Goleiro do Paraná ontem definiu o jogo. Não que o Coritiba jogasse melhor, pois é claro que o Paraná mereceu a vitória, mas sim pela presença do gênio Alex, um gigante que fez dois gols de cabeça, e que por duas vezes colocou a carta circular no correio da coruja. Mas quem é que estava no jardim da coruja? Aquele meninão de mãos crueis com a nação Coxa. Nem Alex conseguiu passar do inspiradíssimo Luiz Carlos.

Aliás, isto confirma nossa teoria da Canja de Porco. Tem dias que nada dá certo, mas entre eles, sempre haverá um dia que tudo, exatamente tudo, dá certo sim. E foi o que aconteceu com o Paraná ontem, inclusive por seus próprios méritos. E se o dia foi uma tragédia para Pereira e para Willian, para Luiz Carlos tudo deu certo. Se Luiz Carlos passasse ontem no shopping para comprar R$ 12 de crédito para o seu Vivo, ele ganhava um Porsche Cayenne. Ao receber a chave, ele ganharia 10 anos de Sky direto das mãos da Gi. E se a convocação para a seleção brasileira fosse ontem, Júlio Cesar não teria a menor chance. Simples assim.

Pra que tudo de errado para agluém, sempre tem alguém que está levando sorte em tudo.

São só fases…

São dias …

As vezes meses …

Mas “PELAMORDEDEOS”. Diz pra mim Willian, diz pra mim Pereira que isso não vai durar um ano.

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CRONISTA PRECISA DE PROTAGONISTA ( E QUE VISTA BEM O VERDE E BRANCO)

Nelson Rodrigues, tricolor de coração, conhecido pela obra inigualável na dramaturgia, foi um dos cronistas mais esplêndidos dentre tantos anjos da máquina de escrever que esse país teve. Mas muito especialmente, falo agora do cronista apaixonado pelo futebol, criador de um dos personagens mais perfeitos para protagonizar o drama deste esporte apaixonante, o Sobrenatural de Almeida.

Deveria eu também narrar as cores, cheiros e sabores da crônica de Fernando Sabino, mineirinho de primeira, que tão bem descreveu o embate sobre o Galo e a Raposa, porém, sem a menor pretensão de ter o brilho destes mestres de nossa literatura, ouso apenas falar do futebol, esse esporte maravilhosamente humano, uma crônica escrita pelas mãos do próprio destino, que faz rir e chorar. Este futebol que desperta paixão e ódio. Este futebol que rouba pais de família aos domingos a tarde, e por tristes vezes, é usado por infelizes para voltar ao tempo das barbáries.

Mas é necessário aqui deixar de lado as mazelas da realidade, para falar de bola. Falar de bola na trave, na rede e dividida. Falar de bola rolada, no passe perfeito, feito com a mão no esporte dos pés. Falar da bola cruel, que não entrou, ou que o juiz não viu. A bola generosa que se apresenta serena na marca do pênalti, ou nervosa nos joelhos de quem vai cobrar a penalidade.

É necessário deixar de lado as negociatas, para falar de camisa, de amor incondicional, da torcida que não abandona, de unhas roídas e de lágrimas felizes. De sorrisos amarelos e de rir-se de si mesmo. É necessário falar do espetáculo, que se descortina com o apito do juiz odiado, tão amado ao dar o cartão vermelho para o adversário.

Fundamental mesmo, é falar do futebol, enquanto poesia feita com matemática, versos escritos com os pés do craque, drama desenhado no rosto do zagueiro de cintura dura, história ingrata de heróis temporários, simetria perfeita da estética irretocável das pernas tortas de Garrincha, a câmera lenta dos passes de Zico, ou os quadros de Pelé. O vilão herói em Maradona ou Caniggia, e as mãos mágicas de Dida e Marcos, goleiros amados e vaiados, donos das pontes perfeitas e dos frangos mais vergonhosos. As costas traidoras de Carlos naquele pênalti inesquecível. Ah! O Futebol!

Não serei tolo de dizer que o amo, mas não serei covarde em negar a paixão que me desperta. Quando o meu alviverde adentra ao gramado, carregando as esperanças de uma vitória, de um título, ou simplesmente, de confrontar com honra e glória o rival maior. Esse meu Coritiba que desafia a lógico, quebra os protocolos, desrespeita a sensatez.

Esse Coritiba que me inunda de orgulho com as vinte e quatro vitórias consecutivas, o recorde mundial na modalidade, e que me deixa o amargo de duas finais da Copa do Brasil em casa, seguidas, fazendo de minha camisa uma chacota para tantos. Esse Coritiba centenário, paixão perpétua,  motivo primeiro desta crônica. Sim, pois se não fosse minha paixão pelo time do Alto de Tantas Glórias, não teria eu motivo para escrever de futebol.

E se escrevo, não me considero cronista, mas um torcedor que desabafa, que torce durante, antes e depois, que tenta se manter equilibrado na vitória e na derrota, que prefere escrever a proferir palavrões, embora eles sejam tão comuns nos estádios, onde a crônica da bola realmente é escrita.

A crônica da bola nos pés de Neymar, Coritiba e Santos, cruel, que trouxe brilho ao garoto que anda tão apagado. A crônica cruel de Sport e Coritiba, com aquele gol nos acréscimos, capaz de azedar o sabor de qualquer domingo. Ou mesmo, a crônica dramática de Coritiba e São Paulo … ah … Coritiba e São Paulo.

Se eu fosse escritor … Se eu fosse cronista … Ah se eu pudesse reunir em palavras pronunciáveis em público os tantos palavrões que se apresentaram para mim neste domingo … Ah se eu pudesse.

Eis aí a crônica do destino. Como se estivesse escrito em algum livro sobre a mesa do destino.

Mas deixando de lado a poesia, não acredito em destino. Não acredito que esteja escrito neste livro que a realidade tenha que ser essa. Será? Aos últimos minutos do segundo tempo, teremos que conviver com o gol, impedido ou não, feito da bola rebatida nas canelas afoitas, como se o destino já tivesse decidido quem vai e quem não vai brilhar? Eu? Jamais!  Esses gols do Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues são lá contra o tricolor carioca.

Eis aí o que penso.

A crônica do futebol está sendo escrita, e este cronista alviverde, precisa de um protagonista. Um personagem que tenha sob a camisa alviverde a alma desperta e a vontade de fazer a história ser escrita a nosso favor. Um atacante que não hesita, e que acredita no seu gol aos 49 minutos do segundo tempo;  um meio campo que não desista, um zagueiro que não permita. Quem será o protagonista?

O cronista precisa de um bom protagonista sim, para escrever uma história de vitórias, apagar os tons dramáticos da tragédia, e expulsar do texto a comédia que se pretende fazer escrevendo uma tragédia com nossa camisa.

Interessados, entrar em campo!

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DOIS VICES VALEM UM TÍTULO DE CAMPEÃO?

 O Atleticano e o Coxa estavam tomando uma cerveja na mesa do bar, quando enveredaram para o papo de futebol.

Depois de horas de “o meu é isso, o meu é aquilo”, o Coxa dispara o melhor argumento de todos para encerrar a encrenca:

– “O Coritiba está na segunda final seguida da Copa do Brasil”.

Sem querer deixar por menos, o Atleticano replica:

– “E dois títulos de vice valem um título de campeão?”.

O Coxa então responde:

– “Não. Se fosse assim o teu atrético era mais que campeão paranaense. Tri-Vice!”

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