CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

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Sábado, sete horas da manhã. Minha amiga Ju Ribas me pede um apoio moral, pois ela iria participar de uma corrida de aventura na Ilha do Mel. Seriam seis quilômetros de areia, trilhas em meio à mata, e uma subida descontínua do Morro do Sabão. Descontínua sim, pois o tal morro, não tem esse nome a troco de nada. Sobe-se dez metros e se desce três. Eu, que não ando de bem com o esporte, limitado por três hérnias de disco, e algumas carteiras de cigarro, não iria me aventurar nesta aventura. Para a Ju, a corrida seria de aventura, mas para mim, se eu tivesse o desatino de participar, seria uma prova de despedida, um suicídio lento e doloroso. Melhor eu ficar na linha de chegada esperando a amiga mesmo.

Chegando lá, uma multidão na praia faz o aquecimento. Ju Ribas encontra a amiga Tici, e com ela troca experiências e conselhos sobre corridas, e coisas do gênero. De calça jeans e jaqueta de couro, fico ali olhando, registro em foto a participação das amigas, quando sou tomado pela vontade torturante de fumar um cigarro. Olhando e volta, e vendo tanta saúde, percebi que não seria um lugar apropriado para colocar fogo num cigarro. Se eu me arriscasse, sofreria pronta reprovação, e com certeza, se alguns mais radicais quisessem reprovar fisicamente minha tola opção de fumante, eu não conseguiria correr deles. Sou muito bom em caminhadas, mas nem o desespero de apanhar de uma multidão saudável me faria correr mais que os seis, quatorze ou vinte e cinco quilômetros dos competidores. Achei melhor mesmo procurar uma moita, para esconder minha vergonha e meu vício. Afastei-me e fui fumar.

Enquanto fumava, eu percebia o ânimo dessa gente toda. Cheguei a lembrar da época que eu corria no Parque Barigui, cerca de onze quilômetros por dia. Hoje não arriscaria o velho coração numa disputa desta. Mas são todos dignos de admiração. Tirando alguns competidores mais fanáticos, notava-se claramente que a grande maioria, estava lá para vencer seus próprios limites. Pouco importa em que lugar vou chegar. Com o tempo que registram em seus equipamentos, querem vencer a si, aos seus limites, e querem fazer isso fazendo bem a sua saúde. Uma sonora salva de palmas para eles.

E eu ali fumando, percebendo no quanto mal fiz para minha saúde em minhas opções, acho que moralmente tenho que me afastar, fumar longe, ficar a uma certa distância. Quem sabe, eu comece agora a caminhar mais, perder peso, fortalecer as pernas, e fortalecer a coluna para que um dia volta a correr, ou melhor, volte a desafiar. Quem sabe eu volte a desafiar meus limites?! Quem sabe eu volte a procurar uma vitória íntima antes de um cigarro. Quem sabe?! Quem sabe?! Sem pressa, sem querer chegar em primeiro, apenas sabendo que tenho um desafio pessoal.

Obrigado a todos que me deram esta boa crônica  e estes bons exemplos, e mais uma vez, perdão por ter fumado, ainda que escondido (risos). Evitei fumar na sua presença, pois se fizesse, não seria tanto, mas seria quase como quebrar santas em uma reunião de católicos, fato lamentável ocorrido no mesmo sábado, no evento com o Papa no Rio de Janeiro.

“Das Regras Mínimas de Conduta, ao uso Mínimo do Bom Senso, percorreremos um curto percurso que haverá de nos tornar pessoas melhores. Este não é um desafio. É uma obrigação de todo ser humano.” (Samuel Rangel)

CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

(Uma homenagem a esta multidão que corre atrás de sua própria superação)

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UMA ORAÇÃO PARA O MEU PAI

É meu pai. Como sempre, o senhor tinha razão. Passei rápido pela infância, pela minha juventude. Alcei ao patamar que se diz dos adultos, e hoje, de cabelos brancos, tenho que lhe dar razão. Ao longo dessa minha vida me opus a tantas ideias suas, deixei de seguir seus conselhos, ousei discordar de suas palavras. Tudo em nome do desejo de evoluir, de me dizer grande, homem adulto, enquanto aos seus olhos, nunca deixei de ser aquela criança, um moleque tolo, tantas vezes irresponsável, sonhador e ingênuo. E agora, neste momento, sou obrigado a aceitar que você sempre esteve certo, em tudo, inclusive quanto ao fato de que não deixei de ser uma criança. Hoje, com você distante, recebendo os cuidados médicos dentro de uma UTI, eu realmente vejo o quanto sou criança. Quando sinto o medo de te perder, pareço ser o mais imaturo dos meninos. Sinto-me fraco. Sinto que não estou pronto. Sinto que o medo me dá vontade de correr para o seu colo e pedir sua proteção. Você sempre teve razão meu bom pai, meu velho, meu melhor amigo. Eu sou tão somente um menino. E por isso te peço e peço ao Nosso Pai, ao Nosso Deus.  Não me deixe.

É. É mesmo assim, mas nem sempre.

DIAS CINZAS (Samuel Rangel) Publicado em www.anjosboemios.blogspot.com

 
Estes dias realmente parecem que vão nos matar, principalmente naqueles momentos que tudo parece dar errado. O carro morreu – antes ele do que eu, a lasanha ficou salgada demais, falta gasolina para ir naquele churrasco da chácara, e quem te liga para oferecer carona é aquele cara ou aquela guria que você simplesmente não agüenta. Então você de súbito começa a procurar as câmeras escondidas, pois você jura que está participando de uma das pegadinhas ridículas do Faustão – que segue a mesma linha. Neste momento um enorme PUTA QUE PARIU começa a crescer em seu peito, e é só acontecer mais uma que você vai largar o “palavraço” (entenda-se como um palavrão de respeito). Mas pela lógica do “só me fodo”, essa oportunidade não aparece, e feito uma gravidez abominável, você fica com a criatura entalada no gogó como se fosse um útero. O dia passa e aquele ser fica chutando em sua garganta. E nada acontece.Quer saber o que fazer nessa hora?Pois é, eu também.Mas enquanto a gente não sabe a resposta, o ideal é rir de si mesmo. Já que o dia quer te fazer de palhaço, ocupe o picadeiro com dignidade. Seja o melhor palhaço do mundo, e faça os outros rirem pela tua enorme capacidade de digerir sua própria tragédia, e transformá-la em uma alegria surpreendente.
 
Só que se permite ser palhaço por um momento, poderá conhecer a alegria de receber um sorriso como este …
E sem mais palavras
 

ILHA DO MEL, TIE SANGUE, E MINHA BUSCA PELA FOTO IDEAL

Uma dos mais belos caprichos da Ilha do Mel, sem dúvida, com um especial toque de Deus, é o Tie Sangue, chamado por alguns nativos de Tira Sangue. Uma belíssima ave com um tom de vermelho único, que tanto quanto bela, é arredia, arisca, e tão logo sente a presença humana, trata de bater as asas negras e fugir para longe de nossa visão.

Com o desejo de dividir com o leitor a bela imagem desta ave maravilhosa, muni-me de minha câmera para tentar capturar um flagrante deste capricho divino. Mas parece que o nosso amigo, além de arredio, também não gosta de fotos. Passou pela figueira no começo da manhã, e embora minha atitude tenha sido extremamente ágil, tão logo coloquei a objetiva 55-250 na máquina, o malandro sumiu para o meio de todo o verde que nos cerca. Ao lado de meu filho, não pude esconder a frustração, de ver ir embora a tão sonhada foto.

Mas um pai não pode ministrar jamais uma aula de desistência para um filho. Se há algo que temos que deixar pra eles, é exatamente o símbolo da persistência, como se tal fosse o signo estampado em nossa testa. Embora esse seja um paraíso natural, algumas benesses da tecnologia nos são disponíveis. Embora ilhado, não estou isolado. Pensei então em todos os documentários que já vi sobre pássaros e pesquisadores. Lembrei-me que uma das formas de atraí-los é fazer tocar o som de seu canto.

Com a internet bem conectada, pesquisei no youtube, e de pronto encontrei o resultado da pesquisa “Canto do Tie Sangue”. Cliquei e lá estava o som do belo animal. Com os programas disponíveis no notebook, baixei o canto, e editei amplificando o som. Com o notebook então, fui até a Praça da Abelha, e num dos bancos de madeira, que ladeiam a trilha que vai da Por do Sol para a Parada Obrigatória, sentei-me disposto a ficar por horas esperando o fujão vermelho.

Para minha surpresa, antes mesmo que eu pudesse ouvir tocar inteira a trilha sonora gravada, lá estava o Tie se aproximando. Primeiro numa árvore, e depois noutra, mais perto, até que cerca de cinco minutos depois, ele estava a pouco mais de 25 metros de nós. Meu filho em silêncio, com os olhos vitoriosos de quem ajudou a armar uma espécie de “arapuca do bem”, estava saboreando a felicidade de não desistir.

O Tie colocou-se contra o sol, e como tal visita ilustre já era uma benção, não hesitei em descarregar a máquina com a velocidade do meu coração competente. Assim, consegui estas fotos que publico agora para que o leitor conheça mais essa benção da Ilha do Mel.

Com a partida do meu filho que foi agora para os carinhos da mãe, hoje retornei a trilha. Como havia encontrado outro canto do Tie, no mesmo lugar, com o Windows Média Player tocando, ali me sentei. Hoje fiquei por horas e nada. Pela trilha de pouquíssimo movimento, já passaram os amigos recolhendo o lixo, os pescadores com suas redes. Carlinhos, o garoto da foto triste sobre o barco, veio hoje sorridente me visitar. Disse-me que eu deveria fotografar o Pica-pau que anda fazendo buracos na casa dele. Também sugeriu-me as fotos do jacaré do rio da Ponta do Nada. E ali ficamos horas, sentados, conversando. Mas o Tie, esse não veio nos brindar com sua conversa. Com a bateria do notebook acabando, percebi que era hora de fechar o Player e abrir o Word, para poder dividir com os amigos leitores esse momento, essas fotos, e essa beleza toda da sempre amada Ilha do Mel.

Mas aprendendo as lições que dei ao meu filho, não vou desistir de encontrar um melhor ângulo, afinal de contas, das lições que ensinamos, a melhor parte é aquele aprendizado que guardamos pra nós, ou simplesmente, relembrar as lições que tivemos.

UMA ORAÇÃO QUE TODO PAI FAZ EM NOVEMBRO (mesmo que seja ateu)

BOM DIA

 

CAFÉ DA MANHÃ NA CAMA! VOCÊ AINDA VAI GANHAR UM!

 

 

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