SOCORRO! Crônicas de Um Paranaense.

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Alguém aí? Será que alguém poderia me ajudar? Meu nome é Paranaense, sobrenome Um Brasileiro. Nascido por bênção nesta terra rica e fértil, tive a má sorte de ver tudo isso ser abandonado à própria sorte, e a falta dela também. Tenho a nítida impressão de que sou governado por bandidos. E não falo aqui deste ou aquele partido. Chego a pensar que o povo Brasileiro não é traído pelo PT ou pelo PSDB. Na realidade acho que nenhum deles quer nada sério com o povo. Uma relação de pura sacanagem.

E se hoje abro a “caixa de ferramentas” do word, é para pedir socorro. Alguém aí pode me ouvir? Quem sabe a Scotland Yard, ou o FBI? Sim. Eu sei que eles nada podem fazer, mas é que dentro das fronteiras deste país estou perdendo a esperança, e vejo as referências se dissolvendo diante da realidade inacreditável do que se passa por aqui.

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 3 1Em plena polêmica do “TUDO AQUI”, que visa colocar em um único endereço mais de cem serviços públicos (um avanço para nós que vivemos “sem serviços públicos). Na prática, deveria ser um espaço para que o paranaense conseguisse fazer documentos e ter acesso aos órgãos do governo e das prefeituras com mais rapidez (acredite se quiser). Seria um modelo parecido com o das Ruas da Cidadania, em Curitiba, contudo, administrado por empresas privadas. Justamente isso! O público administrado pelo privado, como a história dos radares. Além da capital do estado, o projeto deve ser implantado em Ponta Grossa, Maringá, Londrina, Cascavel, Guarapuava e Foz do Iguaçu (para os que ainda não sabem, a polêmica foi gerada a partir da denúncia de deputados estaduais da oposição de que houve favorecimento na licitação que destina R$ 3 bilhões ao projeto).

Hoje fui ao DETRAN, tentar forçar a transferência de um carro que vendi a cerca de 3 anos. Com os documentos em mão, sento-me com a senha 124 na mão. Na tela de cristal líquido barato, o número é 93. Sim. Eu vou esperar. Eu que espero há tanto tempo por dias melhores, posso esperar que “Estado” me dê a atenção que nunca me deu.  Após aquelas horas na fila, tal qual o menino que ganhou a bicicleta no bingo da igreja, vejo o meu número na tela. Finalmente chegou minha vez.

Chegado lá, dou de cara com uma senhora com um mau humor misterioso. Aquela cara de quem vai entrar em greve amanhã. A vontade de me atender é compatível com a atenção que o Estado me dedica. Olha por dois segundos todos os documentos, ela diz que não receberá o documento, pois o documento do cartório é ilegível. Pensei alguns palavrões, mas não disse nenhum. Olhei para ela e disse que entendia perfeitamente o que estava escrito. Ela, me olhando com a cara de mulher largada, diz “não querido”, tentando me fazer crer que tal documento não é legível. Quando vejo crescer em mim um monstro, e falar alguma coisa para a senhora, resolvi segurar a indignação e lembrar que desacatar funcionário público é crime. Ainda não é crime desacatar o contribuinte, o cidadão. Desacatar um Paranaense é na realidade aquilo que eles pensam ser o Regular Exercício de um Direito.

Com a voz serena ainda, perguntei à jararaca quem era o superior dela. Com o nome na cabeça e os palavrões que engoli no esôfago, vou até outra sala e espero mais uma hora. Depois de algum tempo, o cidadão me diz que não pode fazer nada, pois o “pessoal do registro” é chato.

Quem? O que? Quem é chato?

Chato sou eu que vim aqui exercer meu direito de cidadão e incomodar o paquiderme estatal que só serve para arrumar emprego na época de campanha. Chato sou eu que sem pedir licença, nasci no Brasil, no Paraná. Chato sou eu!

Pedi que certificassem a minha presença. O supervisor disse que desconhece tal documento. Eu informo que tenho esse direito. Ele me informa que está ali há apenas 3 meses, esperando a aposentadoria, e não sabe como fazer isso.

Mas se ele não sabe, como é que virou chefe MEODEOS?!?!?!?!

Digo a ele que tal fato é negativa da prestação de um serviço público. Que ele ao menos deve receber o documento, para que posteriormente ele seja deferido ou não. Ele não entende. Explico uma segunda vez, e ele me responde: “Doutor. O Senhor é advogado, eu não.”

Ele me diz que devo tentar em outra unidade do Detran. Numa dessas eu levo sorte. Mas o que é isso? Sorte? Eu? Se tivesse sorte não teria nascido nesta terra! Seu eu tivesse sorte eu era herdeiro do trono espanhol (se bem que a sorte não anda em alta na casa do Rei). Por que não te calas Samuel?

Sou Paranaense Um Brasileiro, e vendo agora que o estado pagará R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões) para criar a versão física de um call center que não funciona, resta-me a itnernet, este meio de pedir socorro, quem sabe para a Corte de Internacional de Haia … (Você precisa saber mais sobre isso. Leia aqui: http://www.bemparana.com.br/noticia/252802/governo-suspende-licitacao-para-o-tudo-aqui-pr )

Sou Paranaense, Um Brasileiro!

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ESQUINAS, A PRESSA E A COLISÃO EM UM MUNDO LOUCO

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Vivemos um tempo diferente. Não existe mais a ideia de família, de valores, de limites, de honestidade. No lugar disso, surge um mundo apressado, e ensimesmado, correndo como louco atrás dos prazeres, da satisfação imediata, do “eu quero ser feliz e pronto”. Neste mundo louco, as pessoas correm pelas ruas e se esquecem de que existem esquinas. Com a pressa, o acidente é certo. É inevitável que no mundo acelerado, as pessoas que cruzam os sinais colidam com alguém que corre em outra direção. E é natural que as direções sejam diferentes, pois não há uma pessoa igual a outra.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 2Mas em um mundo tão mudado, grupos assumem uma certa direção, pela religião, pela ideologia política, por uma visão social ou questão profissional, colidindo a cada instante, uns com os outros, e perdendo a noção de coletividade, tornando inviável a própria noção da urbe. E é claro que se as direções são diferentes, e cada grupo justifica-se em sua pressa, cada um pensa estar na preferencial, imaginando-se titular da razão, legítimo detentor do direito de acelerar, de ultrapassar, de não parar. A cada choque, um novo litígio se forma, e mais e mais os grupos vão encontrando diferenças, passando a não mais serem grupos ou pessoas distintas, diferentes, passando a agir como rivais. E entre os rivais, a hostilidade é a regra. Se antes o choque era um acidente de percurso, entre rivais, ele não precisa ser mais evitado.

 

E assim se acumulam os corpos nas esquinas, vertendo sofrimento, tristeza, manchados pelas desavenças, pela tristeza, pela satisfação inalcançável.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 3Mas dentre estes grupos, as maiores diferenças de direção ocorrem justamente entre as gerações. Enquanto uma percebe que o mundo mudou, que todos seguem para leste, quando no seu entender o certo seria o norte, outra segue para o oeste, querendo mudar o mundo, pois o certo mesmo seria o sul. Está formado o quadro perfeito do acidente. E eles acontecem em todas as esquinas, de todas as formas, de abalroamentos a colisões frontais.

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem  sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi encontrada.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 4É necessário respeitar os sinais, respeitar regras, manter a atenção, e principalmente, não se permitir ceder a brutalidade deste trânsito. Em um determinado momento, onde não há preferencial, a regra básica de que vem da direita pode ser a solução. Mas mais que a regra, surge a oportunidade para a gentileza, para se tentar ser melhor, estender a mão e dar passagem. E a nossa pressa? Quem sabe o outro tenha ainda mais pressa, esteja mais atrasado, precise acelerar mais.

 

Mas além das regras das esquinas, existem outros limites, os limites da velocidade, que parecem não fazer sentido, mas que nos cruzamentos passam a ser de fácil compreensão. Ao se obedecer os limites de velocidade no meio da quadra, podemos estar evitando o choque fatal na próxima esquina. Estas placas de velocidade no meio da quadra, aparentemente sem razão de ser, questionáveis prima facie, justificam-se perfeitamente nas esquinas, onde haverá apenas um sinal, uma placa de pare, ou nada, mas um cruzamento, pelo qual haverá de passar tão acelerado quanto você, alguém que segue em outra direção.

 

Desacelere, conduza-se em suas direções com cuidado, obedeça os sinais, observe os limites de velocidade, troque de direção, ou até mesmo volte se necessário, mas não deixe de observar as regras. Elas não existem para te impedir de chegar ao seu objetivo, apenas pretendem garantir que você chegue lá bem, com o mínimo de acidentes possível, e sem deixar nenhum ferido pelo caminho.

 

Desacelere, e chegue bem.

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