CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

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Sábado, sete horas da manhã. Minha amiga Ju Ribas me pede um apoio moral, pois ela iria participar de uma corrida de aventura na Ilha do Mel. Seriam seis quilômetros de areia, trilhas em meio à mata, e uma subida descontínua do Morro do Sabão. Descontínua sim, pois o tal morro, não tem esse nome a troco de nada. Sobe-se dez metros e se desce três. Eu, que não ando de bem com o esporte, limitado por três hérnias de disco, e algumas carteiras de cigarro, não iria me aventurar nesta aventura. Para a Ju, a corrida seria de aventura, mas para mim, se eu tivesse o desatino de participar, seria uma prova de despedida, um suicídio lento e doloroso. Melhor eu ficar na linha de chegada esperando a amiga mesmo.

Chegando lá, uma multidão na praia faz o aquecimento. Ju Ribas encontra a amiga Tici, e com ela troca experiências e conselhos sobre corridas, e coisas do gênero. De calça jeans e jaqueta de couro, fico ali olhando, registro em foto a participação das amigas, quando sou tomado pela vontade torturante de fumar um cigarro. Olhando e volta, e vendo tanta saúde, percebi que não seria um lugar apropriado para colocar fogo num cigarro. Se eu me arriscasse, sofreria pronta reprovação, e com certeza, se alguns mais radicais quisessem reprovar fisicamente minha tola opção de fumante, eu não conseguiria correr deles. Sou muito bom em caminhadas, mas nem o desespero de apanhar de uma multidão saudável me faria correr mais que os seis, quatorze ou vinte e cinco quilômetros dos competidores. Achei melhor mesmo procurar uma moita, para esconder minha vergonha e meu vício. Afastei-me e fui fumar.

Enquanto fumava, eu percebia o ânimo dessa gente toda. Cheguei a lembrar da época que eu corria no Parque Barigui, cerca de onze quilômetros por dia. Hoje não arriscaria o velho coração numa disputa desta. Mas são todos dignos de admiração. Tirando alguns competidores mais fanáticos, notava-se claramente que a grande maioria, estava lá para vencer seus próprios limites. Pouco importa em que lugar vou chegar. Com o tempo que registram em seus equipamentos, querem vencer a si, aos seus limites, e querem fazer isso fazendo bem a sua saúde. Uma sonora salva de palmas para eles.

E eu ali fumando, percebendo no quanto mal fiz para minha saúde em minhas opções, acho que moralmente tenho que me afastar, fumar longe, ficar a uma certa distância. Quem sabe, eu comece agora a caminhar mais, perder peso, fortalecer as pernas, e fortalecer a coluna para que um dia volta a correr, ou melhor, volte a desafiar. Quem sabe eu volte a desafiar meus limites?! Quem sabe eu volte a procurar uma vitória íntima antes de um cigarro. Quem sabe?! Quem sabe?! Sem pressa, sem querer chegar em primeiro, apenas sabendo que tenho um desafio pessoal.

Obrigado a todos que me deram esta boa crônica  e estes bons exemplos, e mais uma vez, perdão por ter fumado, ainda que escondido (risos). Evitei fumar na sua presença, pois se fizesse, não seria tanto, mas seria quase como quebrar santas em uma reunião de católicos, fato lamentável ocorrido no mesmo sábado, no evento com o Papa no Rio de Janeiro.

“Das Regras Mínimas de Conduta, ao uso Mínimo do Bom Senso, percorreremos um curto percurso que haverá de nos tornar pessoas melhores. Este não é um desafio. É uma obrigação de todo ser humano.” (Samuel Rangel)

CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

(Uma homenagem a esta multidão que corre atrás de sua própria superação)

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ESQUINAS, A PRESSA E A COLISÃO EM UM MUNDO LOUCO

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Vivemos um tempo diferente. Não existe mais a ideia de família, de valores, de limites, de honestidade. No lugar disso, surge um mundo apressado, e ensimesmado, correndo como louco atrás dos prazeres, da satisfação imediata, do “eu quero ser feliz e pronto”. Neste mundo louco, as pessoas correm pelas ruas e se esquecem de que existem esquinas. Com a pressa, o acidente é certo. É inevitável que no mundo acelerado, as pessoas que cruzam os sinais colidam com alguém que corre em outra direção. E é natural que as direções sejam diferentes, pois não há uma pessoa igual a outra.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 2Mas em um mundo tão mudado, grupos assumem uma certa direção, pela religião, pela ideologia política, por uma visão social ou questão profissional, colidindo a cada instante, uns com os outros, e perdendo a noção de coletividade, tornando inviável a própria noção da urbe. E é claro que se as direções são diferentes, e cada grupo justifica-se em sua pressa, cada um pensa estar na preferencial, imaginando-se titular da razão, legítimo detentor do direito de acelerar, de ultrapassar, de não parar. A cada choque, um novo litígio se forma, e mais e mais os grupos vão encontrando diferenças, passando a não mais serem grupos ou pessoas distintas, diferentes, passando a agir como rivais. E entre os rivais, a hostilidade é a regra. Se antes o choque era um acidente de percurso, entre rivais, ele não precisa ser mais evitado.

 

E assim se acumulam os corpos nas esquinas, vertendo sofrimento, tristeza, manchados pelas desavenças, pela tristeza, pela satisfação inalcançável.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 3Mas dentre estes grupos, as maiores diferenças de direção ocorrem justamente entre as gerações. Enquanto uma percebe que o mundo mudou, que todos seguem para leste, quando no seu entender o certo seria o norte, outra segue para o oeste, querendo mudar o mundo, pois o certo mesmo seria o sul. Está formado o quadro perfeito do acidente. E eles acontecem em todas as esquinas, de todas as formas, de abalroamentos a colisões frontais.

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem  sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi encontrada.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 4É necessário respeitar os sinais, respeitar regras, manter a atenção, e principalmente, não se permitir ceder a brutalidade deste trânsito. Em um determinado momento, onde não há preferencial, a regra básica de que vem da direita pode ser a solução. Mas mais que a regra, surge a oportunidade para a gentileza, para se tentar ser melhor, estender a mão e dar passagem. E a nossa pressa? Quem sabe o outro tenha ainda mais pressa, esteja mais atrasado, precise acelerar mais.

 

Mas além das regras das esquinas, existem outros limites, os limites da velocidade, que parecem não fazer sentido, mas que nos cruzamentos passam a ser de fácil compreensão. Ao se obedecer os limites de velocidade no meio da quadra, podemos estar evitando o choque fatal na próxima esquina. Estas placas de velocidade no meio da quadra, aparentemente sem razão de ser, questionáveis prima facie, justificam-se perfeitamente nas esquinas, onde haverá apenas um sinal, uma placa de pare, ou nada, mas um cruzamento, pelo qual haverá de passar tão acelerado quanto você, alguém que segue em outra direção.

 

Desacelere, conduza-se em suas direções com cuidado, obedeça os sinais, observe os limites de velocidade, troque de direção, ou até mesmo volte se necessário, mas não deixe de observar as regras. Elas não existem para te impedir de chegar ao seu objetivo, apenas pretendem garantir que você chegue lá bem, com o mínimo de acidentes possível, e sem deixar nenhum ferido pelo caminho.

 

Desacelere, e chegue bem.

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FELIZES 46 ANOS!

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E este incômodo mês, que me faz correr atrás dos presentes que não consigo dar, que me coloca na balança sobre minhas conquistas e as perdas ao longo do ano, que me obriga a tentar fazer em quinze dias o que não conseguimos fazer nos trinta dias dos outros meses, esse mês cruel, que ano após ano, me coloca mais velho. Ele chegou.

Implacável ele me traz outros tons de cinza para os cabelos que não ajudam mais, outras tantas rugas de expressão, e aumenta as formas da barriga que não tive em minha juventude. Impetuoso, ele me mostra que já não tenho mais o mesmo fôlego de outrora. Não tenho mais a leveza para subir escadas, nem a disposição para longas caminhadas. Mas a idade que me dissuade da ideia de visitar as trilhas longas que percorri, me convida a percorrer as trilhas do pensamento. E pensando, como se quisesse zombar de Dezembro, eu sorrio espontaneamente.

Encontro conforto na ideia de envelhecer. Deixo de ter a obrigação com a juventude. Não sou mais obrigado a viver as minhas aventuras tolas. Hoje eu posso me dispensar de algumas bobagens. Não tenho que me sujeitar aos sonhos juvenis que me entorpeceram os passos. Posso lidar como artesão com a realidade do que tenho às mãos, e saber que já tive diamantes sob meus pés. Ainda que a realidade nem sempre seja a mais desejada, estou livre dos sofrimentos da ilusão. Hoje me percebo um senhor de 46 anos.

Exatamente isso. São 46 anos e estou feliz por isso. Busco neste número um sentido para minha comemoração. Tento encontrar algum jogo de palavras, uma trocadilho, ou um símbolo. Percorro todos os outros anos e não encontro nenhum sentido especial. Mas como a idade me desobriga, quando estou prestes a desistir, surge algo interessante.

São 46 anos sim.

E são 46 os cromossomos do ser humano.

Tenho 46 anos e 46 cromossomos.

Sou humano.

E posso dizer que nesta minha vida, era justamente o que eu tentava ser a cada momento, a cada tropeço, a cada vitória. Uma oração erguida toda noite para que um dia eu me encontrasse humano, realmente humano, no sentido mais valioso que isso pudesse ter.

Tenho 46 anos, e 46 cromossomos.

Nasci humano no aspecto biológico. Fui talhado pelas mãos firmes da educação de meus pais para transformar-me em um humano no sentido exato da palavra. Tropecei, errei, caí, sofri e fiz sofrer. A forja do meu ser humano, ao logo do tempo incandescia no fogo dos meus sentimentos e tantas vezes era resfriada pelas lágrimas da desilusão. Na forja do que meu querer ser humano, a têmpera veio pelas palavras ácidas que ouvi e que tantas vezes repeti. O convívio com amigos irmãos e irmãos amigos, trouxe metais preciosos para esta forja. A compactação do metal no peito, foi forjada pelos impactos com a realidade, da qual o homem não pode correr, e tantas vezes, será obrigado a bater de frente.

E hoje, forjado ao longo destes 46 anos, e justamente com estes meus 46 cromossomos, eu me tenho em conta de um homem…

… de um bom homem…

… de um SER HUMANO!

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E este incômodo mês, que me faz correr atrás dos presentes que não consigo dar, que me coloca na balança sobre minhas conquistas e as perdas ao longo do ano, que me obriga a tentar fazer em quinze dias o que não conseguimos fazer nos trinta dias dos outros meses, esse mês cruel, que ano após ano, me coloca mais velho. Ele chegou.

 

Implacável ele me traz outros tons de cinza para os cabelos que não ajudam mais, outras tantas rugas de expressão, e aumenta as formas da barriga que não tive em minha juventude. Impetuoso, ele me mostra que já não tenho mais o mesmo fôlego de outrora. Não tenho mais a leveza para subir escadas, nem a disposição para longas caminhadas. Mas a idade que me dissuade da ideia de visitar as trilhas longas que percorri, me convida a percorrer as trilhas do pensamento. E pensando, como se quisesse zombar de Dezembro, eu sorrio espontaneamente.

 

Encontro conforto na ideia de envelhecer. Deixo de ter a obrigação com a juventude. Não sou mais obrigado a viver as minhas aventuras tolas. Hoje eu posso me dispensar de algumas bobagens. Não tenho que me sujeitar aos sonhos juvenis que me entorpeceram os passos. Posso lidar como artesão com a realidade do que tenho às mãos, e saber que já tive diamantes sob meus pés. Ainda que a realidade nem sempre seja a mais desejada, estou livre dos sofrimentos da ilusão. Hoje me percebo um senhor de 46 anos.

 

Exatamente isso. São 46 anos e estou feliz por isso. Busco neste número um sentido para minha comemoração. Tento encontrar algum jogo de palavras, uma trocadilho, ou um símbolo. Percorro todos os outros anos e não encontro nenhum sentido especial. Mas como a idade me desobriga, quando estou prestes a desistir, surge algo interessante.

 

São 46 anos sim.

E são 46 os cromossomos do ser humano.

Tenho 46 anos e 46 cromossomos.

Sou humano.

E posso dizer que nesta minha vida, era justamente o que eu tentava ser a cada momento, a cada tropeço, a cada vitória. Uma oração erguida toda noite para que um dia eu me encontrasse humano, realmente humano, no sentido mais valioso que isso pudesse ter.

 

Tenho 46 anos, e 46 cromossomos.

Nasci humano no aspecto biológico. Fui talhado pelas mãos firmes da educação de meus pais para transformar-me em um humano no sentido exato da palavra. Tropecei, errei, caí, sofri e fiz sofrer. A forja do meu ser humano, ao logo do tempo incandescia no fogo dos meus sentimentos e tantas vezes era resfriada pelas lágrimas da desilusão. Na forja do que meu querer ser humano, a têmpera veio pelas palavras ácidas que ouvi e que tantas vezes repeti. A compactação do metal no peito, foi forjada pelos impactos com a realidade, da qual o homem não pode correr, e tantas vezes, será obrigado a bater de frente.

 

E hoje, forjado ao longo destes 46 anos, e justamente com estes meus 46 cromossomos, eu me tenho em conta de um bom homem…

… de um SER HUMANO!

SOBRE A POLÊMICA DA MAIORIDADE PENAL NO BRASIL

 

Cena do Filme Pixote – A Lei do Mais Fraco. O ator Fernando Ramos da Silva, que interpreta o personagem-título, tempo depois do êxito do filme, voltou à sua vida de sempre, vivendo num ambiente de total miséria. Chegou a tentar seguir a carreira de ator, ingressando na Rede Globo com a ajuda do escritor José Louzeiro, porém, foi demitido por ser incapaz de decorar os textos, já que era semi-alfabetizado. Devido à influência dos irmãos, retornou à criminalidade, sendo assassinado por policiais em 1987.

Tive a honra de participar, a convite de Augusto Aaron Gogola, de um debate de altíssimo nível sobre a Maioridade Penal. Confrontei teses com verdadeiras autoridades no tema, como minhas amigas Dra. Maria Roseli Guismann, Patrícia e Janice – psicóloga adepta do método sistêmico.

Dissonando dos demais argumentos, propus a ideia de que a Maioridade Penal no Brasil deve ser objeto de reflexão, e devemos considerar a possibilidade de que esta venha proporcionar a redução da idade para 16, 14 ou até mesmo 12 anos, ainda que isto nos cause profunda preocupação. Porém, deixar de abordar o tema por receio do resultado, seria de todo um ato covarde.

Primeiramente, devemos refletir sobre os reais motivos que nos fazem propor o questionamento. Se formos movidos pela vontade de reduzir a maioridade penal como forma de combater o crime, estamos errados. Não podemos, nem devemos misturar ou confundir o poder de legislar com o poder de polícia. O crime só será combatido através de políticas sérias de segurança pública. Se formos demovidos da ideia de participar deste debate, por conta daquela sensação de que no Brasil nada funciona, somos então por omissão, os baloartes da anarquia. Em síntese, temos que nos ater a um profundo cuidado com os motivos que nos levam a propor quaisquer mudanças, ou justamente assumir uma postura reacionária. A única razão que pode nos mover em direção a uma mudança sobre o instituto da maioridade penal é a nossa busca pela adequação das leis ao sentimento e a busca da justiça.

Justamente daí, surge a legitimidade do tema. Ainda que nós, da área jurídica tenhamos profunda resistência e grande preocupação com as consequências deste debate, notamos que a opinião popular é pela redução da maioridade. E se a vontade do povo é esta, devemos nós respeito ao princípio de que a Lei emana do povo? A lei é do povo e para o povo.

Surge num primeiro momento o questionamento sobre a natureza do artigo 228, e se ele é passível de emenda ou não. Alguns o defendem como cláusula pétrea, entendendo-o portanto como imutável. Nosso entendimento é diverso. Embora seja ele de ordem Constitucional, ele pode ser sim alterado, eis que, embora seja o tema bastante importante, representando grave alteração do sistema legal, não trata de assunto que importe em alteração que ofenda a integridade constitucional. Justamente em face da gravidade do tema e da legitimidade necessária, a possível mudança  então do art. 228 da Constituição Federal, ao nosso entender, seria possível através de plebiscito.

Superada então a questão da admissibilidade da alteração da Lei Consticuional, e por conseguinte com efeito também na Lei Penal, remete-se o assunto naturalmente ao critério da mudança. Como advertimos antes, a mudança por fatores sociais, econômicos, ou mesmo de ordem populista, é extremamente reprovável e desaconselhada. O vício na vontade de alterar a lei, por certo afetará os parâmetros desta mudança, bem como os critérios a serem considerados para ela.

Temos então, que é necessário concentrar esforços no sentido de manter em nossas reflexões a sensatez e coerência, fundamentais sim para a abordagem do tema, eis que qualquer alteração deste instituto representará grandes consequências para todo o sistema legal e social a ele sujeito. E se somos pela necessária reflexão sobre o tema da Maioridade Penal, somos em função de nosso entendimento de que o critério biológico, pura e simplesmente, como adotado no sistema legal brasileiro, é insuficiente, e grande parte das vezes, injusto. Em nossos estudos, percorremos uma vastidão de sistemas legais, bem como, pesquisamos todas as vertentes sobre o tema, e o que propomos agora, seria a alteração do critério biológico, para o que decidimos chamar de “Critério Biopsicossocial Gradativo”. Pede-se vênia para sustentar nossas razões e sugeri-las para integrar o acervo dos elementos necessários para melhor decidir sobre o assunto.

Em nossa exposição no painel proposto, utilizamos um exemplo corriqueiro: os responsáveis pelo menor, durante toda a sua infância e também sua adolescência, protegeram-no de todas as formas possíveis. Do simples fato de levar e ir buscar na escola todos os dias, até o extremo de não lhe permitir uma simples volta de bicicleta na quadra, protegendo-o de todos os riscos que tão bem conhecemos. Assim agindo ao longo de todo esse tempo, quando o menor atinge a maioridade, hoje de 18 anos, os pais então lhe entregam a chave do carro, uma quantia de cigarro para a cerveja, e outro tanto para as diversões que a noite proporciona. O exemplo parece razoável? Ao nosso entender não.

Entende-se que a boa criação, é feita de responsabilização gradativa. Da criança que recebe o leite na mamadeira, depois o achocolatado batido com carinho, até o dia em que lhe é proposto que faça o seu próprio lanche. Da escolha de seus brinquedos, até a conquista de um computador pessoal, onde os pais devem acompanhar e opinar sobre os jogos e os sites visitados, até que realmente o menor tenha a liberdade de gerir seu lazer e suas informações. Dos momentos lúdicos no jardim da infância, aos primeiros aprendizados da alfabetização, até a apresentação dos problemas matemáticos, para ao final encontrar uma infinidade de matérias, fórmulas, símbolos e tudo o mais para que o menor se voluntarie a uma vaga na universidade. Em todos os aspectos, a educação da criança se dá de forma gradativa. Não se pretende jamais que crianças do primário recebam aulas sobre física nuclear. Ao seu tempo, as informações são geridas e ministradas para a formação da criança, ou melhor, para a lenta e gradual transformação da criança em um adulto.

Nosso entendimento, transfere este critério gradual para a questão da maioridade penal. Assim, superada a infância, o adolescente passaria a ser gradualmente responsabilizado pelos atos praticados, até que, aos 18, ou até mesmo aos 21 anos de idade, passaria a ser totalmente imputável. Tratar-se-ia então o adolescente como um sujeito relativamente incapaz.

Diante da idiossincrasia de cada ser humano no que se refere ao amadurecimento, a averiguação da sua capacidade relativa de responder pelos atos praticados, deveria então ser avaliada por uma junta de especialistas, de formação em psicologia e psiquiatria. Averiguada a idade mental do adolescente, ele passaria então a responder por parte da pena imposta ao delito praticado. A título de exemplo apenas, pois o tema exige a participação de equipes multidisciplinares. De acordo com a faixa etária, o adolescente passa a responder aos 14 anos por 12,5% da pena cominada para o delito pratico, aos 15 anos por 25%, aos 16 por 50% e aos 17 por 75%, até que, ao atingir a maioridade, passa a responder pela totalidade da pena.

Com o objetivo de tentar tranquilizar os conservadores, que por certo devem estar horrorizados com uma proposta desta, surgida justamente de um advogado, não pretendemos aqui de forma alguma extinguir com o Juízo do Adolescente Infrator, mas sim justamente transformar este Juízo em um juízo de execução da pena. Também em relação da pena, como existe para os maiores a progressão de regime, para os adolescentes, teremos as medidas progressivas. No similar do regime aberto, teremos as medidas educacionais. No lugar do regime semi-aberto, apresentam-se as medidas sócio-educativas, e no lugar do regime fechado, as medidas de internação. Oportuno lembrar que estas medidas, são propostas tão somente como sugestão, sujeitas que estão, portanto, às necessárias adaptações.

Temos certeza de que o sistema aqui proposto será alvo de duras críticas por aqueles que adotam correntes mais conservadoras, porém, e exatamente no sentido de dar efetividade ao que se pretende alcançar com a mudança, antes da adoção do sistema, é fundamental considerar diversos aspectos. De nada adiantará qualquer mudança, antes de se dar às instituições envolvidas a fundamental efetividade. Aos que defendem a manutenção do sistema atual, parece-nos aconselhável uma visita aos pseudo-educandários, para que desta visita se tenha a ideia do que o sistema atual produz como subproduto das medidas sócio educativas.

Aos que defendem no outro extremo, o máximo rigor, chegando a  sugerir a responsabilização a partir dos 12 anos de idade, parece-nos oportuno ponderar quanto aos efeitos disso. Você entregaria a chave de um automóvel a uma criança de 12 anos? Por qual razão não o faria? Se não o faz, não pode arvorar-se na ideia da total responsabilização penal desta mesma criança.

De qualquer forma, por mais que nossa ideia pareça constituir-se em duro agravamento ao trato na questão do adolescente infrator, ela vem tão somente em socorro destes. Sendo o Estado, agente paternal em relação ao cidadão, advertimos que a educação mais branda nem sempre é a mais benéfica. Próprio da responsabildiade paternal é a autoridade justa, que por vezes castiga, mas que prepara e ensina limites. Não é de forma alguma a educação permissiva, tão somente protetora e garantidora, a melhor forma de fazer o ser humano evoluir da infância para a maturidade, principalmente na difícil travessia da adolescência, onde o jovem, envolto, como bem lembrado pela psicóloga Janice, em um turbilhão de hormônios imediatistas, conflita constantemente entre a sua vontade e as suas necessidades. Só pode ser responsabilizado um adolescente, na medida em que ele distingue perfeitamente entre suas vontades e suas reais necessidades para o desenvolvimento humano.

Por fim, embora não nos possamos julgar suficientemente preparados para esgotar o tema, a publicação deste texto, tem um objetivo de reflexão.

Enquanto palestrava na última segunda-feira, tentei tranquilizar os partidários do reprovável critério vingativo, sobre a despreoucupação quanto aos adolescentes infratores, aqueles que realmente tendem à criminalidade, dificilmente atingem a maioridade. Se o fazem, dela não conseguem gozar por muito tempo, eis que, tão quanto algozes num primeiro momento, são voluntários para engrossar as estatísticas da vitimologia. Dentre aqueles que realmente manifestam sua índole criminosa, a grande maioria antes de completar 21 anos de idade, morre pelas mãos ou da polícia, ou de seus comparsas, ou das gangues rivais. Um número despresível deles é que por pura sorte, consegue atingir a idade adulta. E falava eu sobre esta tragédia social, sem saber que na tarde de terça-feira, eu receberia a notícia de que meu júri do próximo dia 21 de novembro de 2012, foi cancelado. Por qual razão? Prescrição. A.R.S. que seria julgado por um homicídio qualificado cometido por meio te tijoladas, foi assassinado antes do julgamento, vítima de um golpe de foice, cometido por um menor. Este menor será julgado? Creio que não. As estatísticas não são nada promissoras.

Encerro agora o texto que movi tão somente por indignação, por um sentimento de pena destes adolescentes. Se lhe parece utopia a ideia de ver funcionar nosso sistema, ou se lhe surge a pergunta de onde viriam as verbas para custear tamanha estrutura, digo que pouca mudança no nosso orçamento seria necessária. Basta que este país, dominado pela corrupção, e tantas vezes temperado pela passividade de um povo que se pensa feliz, deixe de perder este terço de nossos impostos para os corruptos. Simples assim. Existe uma reserva de 33% de nossos impostos justamente nas mãos destes, sórdidos, imorais, gananciosos. Oportuno salientar. Eles não são menores. Já atingiram a maioridade penal, e portanto, responsáveis que são pelos seus atos, ao serem devidamente encarcerados, haverão de nos permitir a evolução de todo nosso sistema legal e do tratamento que se deve dar aos adolescentes.

a)      Revitalização, adaptação e dignificação das instituições de internação, atendidos todos os limites e exigências impostas pelo UNICEF;

b)      Criação de instituições para fins sócio-educativos, capacitadas para tal finalidade, atendidos todos os limites e exigências impostas pelo UNICEF;

c)       Criação de instituições educacionais exclusivas, capacitadas para o atendimento das a serem impostas, e que primem pela qualidade de ensino e da capacitação humana e social para o trabalho.

Discutir tão somente a alteração do artigo 228 da Constituição Federal, deixando de cobrar e garantir todos os direitos previstos no art. 5º da mesma Carta, não é apenas um equívoco. É na realidade imoral.

DINHEIRO DO PEDÁGIO NA CAMPANHA DO RATINHO? É DEMAIS! FRUET FORTE!

 

A história do candidato Gustavo Fruet, cuja trajetória só tem registros que orgulham o Paraná, como na CPI dos Correios, que desvendou o Escândalo do Mensalão, que hoje culminou com a condenação de José Dirceu. Se você tem alguma dúvida disso, basta pesquisar a história de Gustavo, e a simples comparação com o outro candidato até mesmo na wikipedia, deixa claro qual a melhor a escolha para Curitiba.

 

Enquanto do lado de Gustavo Fruet, a história é de todo favorável a ele, de outro, a do seu oponente no segundo turno nada tem de favorável. Pior ainda, é saber que a Campanha de Ratinho é sustentada também pelos “Donos do Pedágio”. Uma vergonha.

 

Pior ainda encontrar na internet, a notícia de que o pai do candidato Ratinho é Madeireiro na Amazônia. Essa notícia é de 2010, e nada tem de boato de campanha. Ela pode ser vista aqui: http://zezoferreira.blogspot.com.br/2010/05/zezo-puxa-brasa-do-blog-da-amazonia-do.html

 

É por isso que a história aconselha. VOTE 12! FRUET FORTE!

UMA ORAÇÃO PARA O MEU PAI

É meu pai. Como sempre, o senhor tinha razão. Passei rápido pela infância, pela minha juventude. Alcei ao patamar que se diz dos adultos, e hoje, de cabelos brancos, tenho que lhe dar razão. Ao longo dessa minha vida me opus a tantas ideias suas, deixei de seguir seus conselhos, ousei discordar de suas palavras. Tudo em nome do desejo de evoluir, de me dizer grande, homem adulto, enquanto aos seus olhos, nunca deixei de ser aquela criança, um moleque tolo, tantas vezes irresponsável, sonhador e ingênuo. E agora, neste momento, sou obrigado a aceitar que você sempre esteve certo, em tudo, inclusive quanto ao fato de que não deixei de ser uma criança. Hoje, com você distante, recebendo os cuidados médicos dentro de uma UTI, eu realmente vejo o quanto sou criança. Quando sinto o medo de te perder, pareço ser o mais imaturo dos meninos. Sinto-me fraco. Sinto que não estou pronto. Sinto que o medo me dá vontade de correr para o seu colo e pedir sua proteção. Você sempre teve razão meu bom pai, meu velho, meu melhor amigo. Eu sou tão somente um menino. E por isso te peço e peço ao Nosso Pai, ao Nosso Deus.  Não me deixe.