FILOSOFARSAS, DIREITO E OUTRAS MIL BALELAS

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Nós, os chatos de oratória rebuscada, esses mesmos que cursam Direito durante cinco anos para ter tão pouca certeza, e para aplicar a relatividade não científica a tudo e todos, não andamos de bem com nossa imagem perante o povo. Para nós, esse jeito detalhista e minucioso de olhar tudo de maneira relativa, e de se apegar aos mínimos detalhes para desconstituir o todo, andamos por aí dizendo que o vestido azul é cor de rosa, e o dourado, um tom pálido de verde inchaço. Adoramos pois um belo debate, seja no boteco, no fórum, os nas redes sociais. 

O problema, é que fazemos isso por natureza. Sim, somos uma espécie diplomada de pentelho inoportuno, de chato de galochas e bela escrita, de um cansativo e incansável combate por niilismos e detalhes superficiais. E se a nossa natureza é essa, perdoem-me os que convivem comigo, mas é maior que eu. É algo que não se pode controlar. Vem tão espontaneamente que chega a se quase belo, enquanto não deixa de ser chato. Surge de forma tão natural que parece ser agradável, embora não deixe de ser inoportuno. E toma formas tão apaixonantes, que por vezes chega a parecer convincente, embora não deixe de ser, tão somente, quase nada. Mas veja amigo. Se sou assim, e assim o faço, como inseri propositalmente, é um reflexo gratuito, sem paga, sem recompensa, e sem qualquer vantagem. 

Essa é a diferença entre o filósofo e o “filosofarsante”. O que seria isso? 

Bem. Dentre minhas invenções e próprias razões, tantas vezes desconexas, em certa oportunidade usei o termo para falar de minhas incertezas, e das certezas tolas de tantos. Usei o termo de Filosofarsa para criar em neologismo algo que refletisse tanto do que vejo não só nos livros de direito, mas também e muito neles. E se o Direito é tomado por loucos? Ora. Como Tourinho Filho me disse uma vez na mesa do Barolo: Ou somos loucos, ou somos … bem, outra coisa. Mas loucos, como dizia o mestre do sensacionalismo policial, rasgam notam de cem. Não existem loucos por dinheiro. Se a expressão “louco por dinheiro” se aplica a alguém, já deixou de ser, pela lógica de Tourinho Filho, advogado. Enquanto consigo rir também dessa minha filosofarsa, em um minuto de consciência, recordo-me do motivo pelo qual eu me propus a escrever este texto hoje, em certo tom de brincadeira, para alegrar a terça-feira do colega. 

Esta seria minha insurgência contra os que se colocam agora, a disparar todo tipo de impropério contra Sérgio Moro, para cobrir de macia manta os réus da Ação Penal Pública (só para lembrar), que derivou da Operação Lava Jato. Falam da prisão e do cárcere como se fosse uma criação macabra no porão do juiz, e esquecem que esta realidade, dura sim, arrasta-se por séculos e está diretamente ligada à história do Direito Penal e do Processo Penal. Essa nuança cândida de supostos filósofos que parecem nunca ter advogado, escondem na realidade uma perigosa filosofarsa. Na impossibilidade de defender seu cliente, o rumo que tomam é agredir o Acusador, ou neste caso, o Julgador. Esqueceram-se os colegas do enorme número de pessoas envolvidas nas investigações e em todos os atos que precederam a Ação Penal Pública (Pública, eu já disse?), para centrar na imagem do julgador a figura do “inimigo público”. Bem isso. Coisas dessa época de Jack Sparrow e de Piratas do Caribe, ou de Ilhas Cayman, ou de contas na Suíça. Ora amigos. Torcer para o bandido no cinema ainda é aceitável, embora estranho, mas na vida real não. Calma lá. Devagar com o andor que o juiz é humano. 

FILOSOFARSAS amigos. Elas têm uma certa aparência filosófica, mas no momento em que deveriam se legitimar pelo amor ao conhecimento acabam revelando tão somente paixões pelo dinheiro, pelo poder, ou apenas pela fama. Pois deixemos para fora do mundo jurídico então, essas conversas de botecos, essas brigas partidárias, essas campanhas difamantes que parecem mais ser de uma campanha para o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da UniEsquina. 

Falam mal da Delação Premiada? Atualizem-se pois, hoje, o termo usado é Colaboração Premiada. Alguns então criticam essa ideia de prêmio pela colaboração. Ora Excelências, Colegas e Filosofarsantes. É direito do Acusado confessar? Até o mais inexperiente dos estagiários do mais humilde escritório de advocacia, sabe que em determinadas causas, principalmente quando a prova é documental, não existe como negar o fato. E se não pode o Acusado negar o fato, poderia ele ao menos, confessar a prática delituosa para ao menos ter uma atenuante genérica de sua pena? Nestes vinte anos de advocacia, diversas vezes eu aconselhei clientes à confissão. E em todas as vezes, uma pequena quantidade da pena, foi reduzida. 

Mas se é direito do Acusado confessar, ele poderia confessar o fato sem os detalhes a ele relacionados? Metade de Confissão? Ora. Ou a confissão é integral e verdadeira, ou ela sequer se presta a reduzir a pena pecuniária. E o Acusado, componente de um grupo que se reúne para a prática criminosa, poderia confessar sua participação sem declinar os detalhes desse grupo? Claro que não. 

Em alguns momentos em meu flagro sorrindo, ao ver que alguns colegas criticam a delação por ser ela uma ofensa a preceitos morais e éticos. Vai a pergunta então. Existe moral no crime? Existe ética para o grupo criminoso? Bom. Em uma verdadeira ginástica retórica, alguns irão dizer que sim, mas eu, e o amigo que lê neste momento este meu desabafo, desconhecemos esta tal ética no crime. Deixemos pois, aos esforços de outros tentar legitimar tais argumentos. 

Mas vamos além. Se a confissão é um direito do Acusado, ainda há algo mais a ser ponderado antes de nos engalfinharmos nestes debates em tons de militâncias políticas. Sim eu sou militante, mas da advocacia. Sou Advogado Militante há 20 anos. Ok? Seguimos então. Preceitua o artigo 16 do Código Penal que “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços”. Tal preceito deriva da vontade do legislador de premiar, e generosamente, o arrependimento, como forma de manifestação por parte do sujeito ativo, do seu desejo de não mais praticar o ato reprovável. Se a pena teve em algum momento histórico um caráter de reabilitação, o arrependimento estaria a demonstrar como desnecessária esta fração da pena. Um argumento lógico, que o advogado deve expor ao seu cliente no momento em que este decidirá a conduta que irá adotar no processo. Exato. O cliente deve decidir, pois as decisões do advogado, serão tão somente técnicas, limitando-se todas as demais a mero aconselhamento. 

E na associação destes conceitos legais, temos a absoluta legitimidade da Colaboração Premiada, seja ela pela confissão, ou seja ela pela delação inerente à própria confissão. Essa seria tão somente a minha opinião, que se coaduna com minha prática ao longo de vinte anos de carreira. Aos que agora defendem o entendimento oposto, com todo respeito, aconselho a identificar os motivos pelo qual se manifestam. Certamente, se restar algum amor pela Profissão e pelo Direito, ela irá se sobrepor às paixões pelo dinheiro, fama e poder. Serão então contidos pacificamente os mais exaltados, e a ordem deverá ser restaurada, e outras mil balelas que lemos nestes dias difíceis, sairão das colunas do pensamento jurídico para ocupar as páginas de humor, as tirinhas da comédia, e inocentes gibis. 

Crendo ter me estendido muito além do que eu queria neste meu “bom dia” a todos, fecho agora relembrando um pensamento meu publicado há poucos dias. “Querem crucificar Sérgio Moro e absolver Barrabás”. Pois então, devagar com o andor que o juiz é humano.

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NOITE DE AMOR (Samuel Rangel)

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É sábado. Os amigos se reúnem para uma costela e um torneio de truco. Não pude ir, pois meus compromissos com os textos da peça, e o jogo do Coritiba e Ceará, impediam esse vivente de se fazer presente na chácara do amigo.

Então, pouco antes do apito que iniciou o jogo, cheguei ao Bar do Ítalo, para ver meu glorioso verdão se virar nos dois a zero contra a equipe do nordeste. Mas valeu muito a pena, apesar das tolices desse e daquele jogador.

Ao final do jogo, chacoalho as calças para me retirar do recinto, pois a turma da noite começava a chegar. Não acho que deveria enfrentar outra maratona como a de ontem, onde gravando o CD a cerveja havia me acompanhado durante a noite inteira. Então, pelo juízo, vou-me embora para minha casa, pois lá sou amigo do dono, terei em minha cama as cobertas que escolherei.

Quando estou ao balcão, chega a turma do churrasco. Meu Deus!!!!!! Parecia uma bandinha entrando no circo. Um mais torrado do que o outro. E antes que eu pudesse parar de rir, me convidaram então a sentar-se à mesa. Era difícil conversar dentre tantas gargalhadas. Quando perguntei quem ganhou o torneio, não souberam me responder. Então vi que o caldo tinha menos galinha do que eu imaginava. Francamente, a coisa foi feia. Nunca havia visto alguns deles em tal condição.
Então um deles, após me contar que a maratona havia começado na padaria as oito horas da manhã, diz que vai embora. Como educado, perguntei sobre sua esposa, e ele me disse que estava tudo bem. Perguntei então se ela estava viajando.

Essa pergunta foi sim reflexo da experiência que tenho em relação aos meus amigos, pois quando suas esposas viajam, eles ficam mais risonhos, mais soltos, e normalmente, mais embriagados. E ele me disse que ela não havia viajado. Ela estava em casa, esperando.

Sem que pudesse segurar, soltei o meu famoso “Meu Deus”.

O amigo então questionou o motivo de tal frase. Como a sinceridade me conduz, inclusive nos momentos que eu adoraria que ela me abandonasse, disse a ele: E você vai chegar em casa nesse estado? A noite não vai ser Fácil.
Então comecei a rir em conjunto com algumas testemunhas que se dizem meus amigos.

Ele então disse: “Que nada. Vou para a casa e ter uma longa noite de amor.”

A resposta pareceu saltar da minha boca antes que eu pudesse pensar.

Respondi:

– Realmente, vai ser uma noite de amor.

Sua mulher vai passar a noite dizendo:

Amor, pare de roncar!

Amor, não mije na geladeira!

Amor, eu acho que você exagerou!

Amor, teu bafo esta de matar!

Amor desista, isso não vai funcionar!

Amor, pare de cantar essa música. A letra não é assim!

Amor, se você passar a mão na bunda do cachorro mais uma vez eu vou ficar brava!
Então, na minha filosofia pequena e despretensiosa, descobri que o tanto de vezes que uma mulher te chama de amor, não significa o quanto ela te ama. As vezes esta mais relacionado ao número de cervejas que você bebeu e a paciência que a sua “Madre Tereza” tem com a sua criatura.

As mulheres são complicadas, e isso é bem verdade, mas também não podemos lhes fazer as críticas de costume, pois se elas tivessem alguma razão, não gostariam de homens.

Ao ouvir um “Meu Amor”, tente olhar para os olhos dela para saber o que isso significa. Nem sempre quer dizer “Eu te amo”.

Entendeu? Não?

Então leia amanhã quando acordar.

NOITE DE AMOR (Samuel Rangel)

CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

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Sábado, sete horas da manhã. Minha amiga Ju Ribas me pede um apoio moral, pois ela iria participar de uma corrida de aventura na Ilha do Mel. Seriam seis quilômetros de areia, trilhas em meio à mata, e uma subida descontínua do Morro do Sabão. Descontínua sim, pois o tal morro, não tem esse nome a troco de nada. Sobe-se dez metros e se desce três. Eu, que não ando de bem com o esporte, limitado por três hérnias de disco, e algumas carteiras de cigarro, não iria me aventurar nesta aventura. Para a Ju, a corrida seria de aventura, mas para mim, se eu tivesse o desatino de participar, seria uma prova de despedida, um suicídio lento e doloroso. Melhor eu ficar na linha de chegada esperando a amiga mesmo.

Chegando lá, uma multidão na praia faz o aquecimento. Ju Ribas encontra a amiga Tici, e com ela troca experiências e conselhos sobre corridas, e coisas do gênero. De calça jeans e jaqueta de couro, fico ali olhando, registro em foto a participação das amigas, quando sou tomado pela vontade torturante de fumar um cigarro. Olhando e volta, e vendo tanta saúde, percebi que não seria um lugar apropriado para colocar fogo num cigarro. Se eu me arriscasse, sofreria pronta reprovação, e com certeza, se alguns mais radicais quisessem reprovar fisicamente minha tola opção de fumante, eu não conseguiria correr deles. Sou muito bom em caminhadas, mas nem o desespero de apanhar de uma multidão saudável me faria correr mais que os seis, quatorze ou vinte e cinco quilômetros dos competidores. Achei melhor mesmo procurar uma moita, para esconder minha vergonha e meu vício. Afastei-me e fui fumar.

Enquanto fumava, eu percebia o ânimo dessa gente toda. Cheguei a lembrar da época que eu corria no Parque Barigui, cerca de onze quilômetros por dia. Hoje não arriscaria o velho coração numa disputa desta. Mas são todos dignos de admiração. Tirando alguns competidores mais fanáticos, notava-se claramente que a grande maioria, estava lá para vencer seus próprios limites. Pouco importa em que lugar vou chegar. Com o tempo que registram em seus equipamentos, querem vencer a si, aos seus limites, e querem fazer isso fazendo bem a sua saúde. Uma sonora salva de palmas para eles.

E eu ali fumando, percebendo no quanto mal fiz para minha saúde em minhas opções, acho que moralmente tenho que me afastar, fumar longe, ficar a uma certa distância. Quem sabe, eu comece agora a caminhar mais, perder peso, fortalecer as pernas, e fortalecer a coluna para que um dia volta a correr, ou melhor, volte a desafiar. Quem sabe eu volte a desafiar meus limites?! Quem sabe eu volte a procurar uma vitória íntima antes de um cigarro. Quem sabe?! Quem sabe?! Sem pressa, sem querer chegar em primeiro, apenas sabendo que tenho um desafio pessoal.

Obrigado a todos que me deram esta boa crônica  e estes bons exemplos, e mais uma vez, perdão por ter fumado, ainda que escondido (risos). Evitei fumar na sua presença, pois se fizesse, não seria tanto, mas seria quase como quebrar santas em uma reunião de católicos, fato lamentável ocorrido no mesmo sábado, no evento com o Papa no Rio de Janeiro.

“Das Regras Mínimas de Conduta, ao uso Mínimo do Bom Senso, percorreremos um curto percurso que haverá de nos tornar pessoas melhores. Este não é um desafio. É uma obrigação de todo ser humano.” (Samuel Rangel)

CORRER (!), FUMAR (?) E AMAR!!! – DAS REGRAS DE CONDUTA, AO USO MÍNIMO DO BOM SENSO

(Uma homenagem a esta multidão que corre atrás de sua própria superação)

CORITIBA 2 X 3 PARANÁ – Canja de Porco e Dias Cinzas

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E a segunda-feira começou dolorida, cabeça inxada, ecoando na lembrança a narração dos três gols do Paraná. Ao mesmo tempo, convivem no peito duas emoções diferentes. Uma vontade de presentear o Zagueirão Pereira com um Código Penal atualizado e comentado. O que é isso zagueiro? Uma tentativa de homicídio? Sim. Segundo os emergentes defensores do dolo eventual, quando a lesão pode causar a morte, o agressor assume o risco de matar. Cuidado companheiro para não fazer companhia ao ex-deputado, até porque, pelo tamanho da patada, 60 quilômetros horários já é crime. Mas tenho que me concentrar para lembrar que o assunto é futebol e não direito, então, joga direito Pereira. Por favor!

Mas há de se convir que tem dias que nada dá certo. Dá até a impressão que como alguns dizem, tem dias que de noite é “broca” (usei do meu vernáculo para melhorar o nível). Em certo dias, se jogamos dois ovos em uma frigideira com azeite quente, na hora de servir vira sopa de giló. É bem isso. Jogamos as melhores frações de um porco, em uma panela de pressão profissional, junto com o melhor feijão, o tempero perfeito, e quando vai servir …

MEODEOS! UMA CANJA! UMA CANJA DE PORCO!

É assim mesmo companheiros. A vida é feita de fases, e nenhum ser vivente haverá de passar pela vida sem ter que cruzar a eternidade de um dia ruim. E quando digo ruim, digo muito pior do que isso. Provavelmente Pereira tenha recebido a visita da sogra ontem. Quanto a Willian? Justamente ele, que sempre foi um símbolo da garra Coxa, e uma das mais reluzentes pratas-da-casa, tinha que fazer aquela lambança no terceiro gol? Com certeza Willian recebeu ontem um notificação da Receita Federal dando conta de que não receberá nenhuma devolução. Caiu na malha fina, tal qual a redonda estufou as malhas largas da rede de Wanderlei. Ah Wanderlei… O que fazer diante do drible desconcertante que Reinaldo deu nele mesmo? Nada a declarar.

Quem sabe deva protagonizar o texto deste Coxa-branca um goleiro. Um Goleiro Paranista. Exatamente. Luiz Carlos. O Goleiro do Paraná ontem definiu o jogo. Não que o Coritiba jogasse melhor, pois é claro que o Paraná mereceu a vitória, mas sim pela presença do gênio Alex, um gigante que fez dois gols de cabeça, e que por duas vezes colocou a carta circular no correio da coruja. Mas quem é que estava no jardim da coruja? Aquele meninão de mãos crueis com a nação Coxa. Nem Alex conseguiu passar do inspiradíssimo Luiz Carlos.

Aliás, isto confirma nossa teoria da Canja de Porco. Tem dias que nada dá certo, mas entre eles, sempre haverá um dia que tudo, exatamente tudo, dá certo sim. E foi o que aconteceu com o Paraná ontem, inclusive por seus próprios méritos. E se o dia foi uma tragédia para Pereira e para Willian, para Luiz Carlos tudo deu certo. Se Luiz Carlos passasse ontem no shopping para comprar R$ 12 de crédito para o seu Vivo, ele ganhava um Porsche Cayenne. Ao receber a chave, ele ganharia 10 anos de Sky direto das mãos da Gi. E se a convocação para a seleção brasileira fosse ontem, Júlio Cesar não teria a menor chance. Simples assim.

Pra que tudo de errado para agluém, sempre tem alguém que está levando sorte em tudo.

São só fases…

São dias …

As vezes meses …

Mas “PELAMORDEDEOS”. Diz pra mim Willian, diz pra mim Pereira que isso não vai durar um ano.

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UM DIA DAQUELES, O LADRÃO SUICIDA, E AGORA SOU QUASE PAULISTANO.

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I – O CAFÉ, O GORDO E O ELEVADOR

São Paulo, “terra da garoa”, e assim o dia cinza e chuvoso chegou. Eu já havia despertado no meio da madrugada, e remexia os livros de doutrina e jurisprudência para fazer a sustentação oral do Tribunal de Justiça. Eu estava ali pela segunda vez, pois duas semanas antes eu recebia a notícia do adiamento do julgamento apenas na hora que o mesmo ocorreria.

Com os olhos vermelhos, de quem rompeu a madrugada desta vez sem cerveja, desci ao belo salão do café do hotel. Ali, após um circuito pela mesa posta, separei as mais belas frutas, os cereais, e os frios que eu acomodaria na broa preta. Com uma manteiga de aviação salgada, eu pretendia almoçar as oito horas da manhã. Deixando o pratinho sobre a mesa vou até a máquina de café fazer o meu pingado as avessas. Café na xícara, as gotas de leite que eu precisava para romper o negro do café me abandonavam. Após chamar o atendente, por uma, duas, ou três vezes, ele abriu a garrafa térmica e derramou o leite sobre o meu café. Muito mais do que eu queria, mas …

Quando giro o corpo e aponto na direção do meu “breakfast“, vejo em minha mesa, sentado em minha cadeira, com a boca cheia das minhas frutas, o “rei momo” de algum carnaval americano. Com as velozes bochechas vermelhas, ele devorava tudo que eu havia colocado ali. Tentando entender a inusitada cena, cheguei a passar os olhos pelo meu terno, para saber se ao menos pareciam com os trajes do metre. Impossível! Ele usava um terno preto com gravata borboleta. Mas que gordo canalha esse?! Será que meu cavanhaque teria lhe confundido com a imagem do buço da sua santa mãe? Seja como for, perdi a vontade de almoçar prematuramente. Com um olhar que fuzilou o gordo (e acredite que daquele tamanho, ninguém erraria um tiro), tomei rapidamente três xícaras de café. Com cara de gorila saí para a frente do hotel, fumar meus calmantes de nicotina e alcatrão. Na esquina, eu via os últimos suspiros da balada alternativa que atravessou a noite próximo ao meu pernoite. Eles também passaram a noite acordados.

Ali eu me detive um pouco, olhando as longas pernas das garotas de longa experiência que se aglomeravam diante da balada. Girei lentamente o corpo enquanto sorria com a cena. São Paulo é realmente a cidade que não para. Vou ao elevador já sem qualquer lembrança do “gordacho” que me roubou o café, e quando a porta do elevador abre, a imagem dele ressurge redonda e bochechuda na minha frente. Fuzilei mais alguns tiros com o olhar, sem errar nenhum. Entrei no elevador, e quando a porta fecha, percebo que o flatulento gordo havia deixado no ar os resquícios, em cheiro insuportável, de todas as frutas e frios que eu havia separado. Mas que gordo mais … mais … mais … mas não adianta. Tive que conviver com a devolução indesejada até o décimo andar. Lá desci e fui correndo para o banho me livrar das frutas e dos frios que eu não queria.

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II – O RELÓGIO, O VETERANO DA ADVOCACIA, E O TRIBUNAL

Desembarco do táxi sob os risos do taxista, que já profetizava que eu perderia o voo de retorno para Curitiba. Ele de certa forma, me informava que São Paulo, “a cidade que não para”, ganhou este apelido em dias de sol e noites de lua. Quando chove, não é São Paulo que para. É o mundo!

Passo pelo detetor de metais após uma sinfonia de apitos com o cinto, o isqueiro, o celular, e até as meias com bordado e fio de ouro. Subo até o sexto e suntuoso andar, onde eu faria minha sutentação. Por humildade, resolvi chegar com meia hora de antecedência. Dividi o confortável e velho sofá com um veterano da advocacia. Formado em direito ainda na década de cinquenta, ele havia sido advogado, depois juiz, depois desembargador, e voltava para a advocacia ainda com a OAB onze mil e pouco de São Paulo. Um agradável papo fez as três horas de atraso para o início da sessão de julgamento. As pernas doiam tocando a alarme da consciência da minha idade. A irritação fugia aos olhos que miravam a porta que não se abria. Mas o simpático veterano fez com que o tempo passasse quase rápido.

Quando as portas se abriram, percebi feliz que o meu processo era o primeiro da pauta. Alegria que quebrava o dia difícil. Para minha surpresa,  foi invertida a ordem de julgamento dos processos, pois o relator do meu processo não havia chegado ainda. Passei ali mais uma hora e meia, esperando o ar de sua graça, enquanto ouvia a forma rápida e sonolenta com que dezenas de processos eram julgados. O sono que me abandonára durante a noite, agora vinha com força empurrar minhas pálpebras em direção ao chão. Quando entra o relator, feliz desperto, e de pronto, ao ser chamado o sétimo processo da da pauta, coloco-me em pé diante da tribuna. Com a palavra, fiz aquele que creio ter sido uma das minhas mais belas sustentações orais. Matéria técnica, citações de doutrinas interessantes, e a análise de jurisprudências foram colocadas com imensa clareza. O procurador, ainda que no polo contrário, percebe a procedência dos meus argumentos, e revendo seu parecer anterior, é pelo provimento do meu recurso. Com a palavra o relator, começa a leitura de um voto sucinto. Tão sucinto, que deixava de apreciar o mérito dos meus pedidos. O revisor percebe o problema, interrompe o voto, e adverte o relator de que não havia controvérsia quanto a procedência do que eu havia pedido. O relator não se emenda, de primeira, e o vogal lhe chama a atenção. Diz que a matéria não é uma faculdade do juiz, mas na realidade,  uma causa obrigatória de diminuição de pena. Pronto. O relator então diante da situação resolve mudar o voto, mas para isso, pede vistas do processo, e deverá proferir seu voto em alguma das próximas seções. Com os elogios dos desembargadores, saio sem o acórdão, mas com o consolo de um trabalho bem feito.

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III – O TÁXI, O TRÂNSITO E O LADRÃO DE CIRCO

Sorridente, saio do Tribunal de Justiça ao lado da amiga Amanda, que havia acompanhado a sessão de julgamento. Enquanto comento com ela sobre o mérito, com um aceno faço parar um táxi, e nele embarco rapidamente para buscar a mala no hotel. Sacando a mala da portaria, embarco no táxi rumo ao aeroporto de Guarulho, tratando o valor fechado.

Na saída do centro, uma carreata lenta se espreme nas vielas do centro, segundo o taxista, fugindo do engarrafamento. Mas como o valor era fechado, fiquei tranquilo. Percebendo que levaria cerca de duas horas e meia para chegar ao aeroporto, fiz uma proposta para o taxista. Dou-lhe mais dez, se você parar em um posto para que eu compre algumas cervejas e me permita fumar no seu carro. Ele pede vinte, ofereço quinze e ele aceita os vinte. Pronto. Agora, no banco de tras do táxi, tenho meu bar e meu tabaco, tenho minha lan house no meu celular com 3G mega power turbo.

A viagem promete ser mais tranquila. E assim é. Passando um calor insuportável no centro da cidade, fico feliz ao chegar à marginal pinheiros, quando começamos a empreender uma velocidade média de 40 km/h. Que bom. Estou indo bem. Agora posso abrir meia janela para algum vento refrescar o táxi sem ar condicionado. Exatamente. Tratei o preço mas não sabia que o ar do carro estava estragado. Mas agora, com a Marginal Tietê voando aos 40 km/h, estou bem tranquilo. Posto no facebook minha paixão pelo trânsito paulista. Posto algumas mensagens, algumas curtidas e postagens dos amigos, e tomando aquela cerveja geladinha, com tempo para avaliar, resolvo fazer minha declaração de amor à mulher amada. Resolvo então escrever ali todos os sentimentos que jamais confessei. E agora, já meio ancião, resolvo colocar um fim em minhas solteirices.

Em oito grandes e bem escritos parágrafos, estou pronto para enviar aquilo que quase é um pedido de casamento. Ali está o enviar, e estou a um simples clique de meu novo casamento. Uma mensagem chega antes disso, e tenho que desembaraçar meu desembarque em Curitiba, a carona, e tudo mais. Resolvo então conferir as passagens, o documento, o dinheiro para o táxi e com o celular estou postando a mensagem para os amigos do retorno. Repentinamente, com uma habilidade circense, um motoqueiro emparelha em minha janela e consegue retirar meu celular e o dinheiro que tenho na mão, e mesmo com o táxi em movimento, ao ver meus documentos caírem sobre meu colo, tenta arrancá-los também. Tenho a oportunidade de segurar seu braço, mas quando percebo que vou derrubá-lo sob o rodado do caminhão, instintivamente soltei. Lá se vão meus honorários, minha reserva de dinheiro para o carnaval, meu celular, com a agenda do telefone de todos meus contatos de clientes e amigos, e o pior de tudo. Aquele pedido de casamento que eu iria fazer, desta vez sóbrio.

O taxista tenta ainda manobrar o carro para derrubar o “ladrão saltimbanco do Cirque du Soleil” – deveria ele tentar a sorte por lá, costura o trânsito com minhas belas palavras. De pronto, e para acalmar o indignado taxista, manifesto minha resignação, e com isso, consigo acalmar o taxista que já ameaçava fazer loucuras no trânsito para seguir o ladrão. Com a calma restaurada, confiro os trocados que havia guardado no outro bolso. Ao menos tenho o suficiente para pagar o táxi e comer alguma coisa no aeroporto.  Curitiba me aguarde. Estou de retorno da cidade que não para. Aliás, nem o ladrão para para assaltar você dentro do taxi. A cidade é tão veloz que o assalto se dá em movimento mesmo.

IV – O AEROPORTO, O ATENDIMENTO ESPECIAL, E O RETORNO

Chego ao aeroporto, e o taxista atenciosamente me deixa na frente de um balcão da Gol com um luminoso dizendo ATENDIMENTO ESPECIAL. Vou até ele e comunico o assalto. Ao comunicar o assalto, o atendente diz que uma vez ele foi assaltado assim também, e sem falar mais nada, fica me olhando. Pergunto a ele se posso usar o telefone e ele diz que não. Pergunto a ele se posso usar a internet, e ele diz que não, somente aquela paga no segundo andar.

Resolvo ir à delegacia do próprio aeroporto, mas sou comunicado que a Delegada está na pista recebendo um deputado. Devo retornar em duas horas. Vou então à Lan House e agência da Vivo. Descubro que ali não consigo cancelar minha linha. Somente através do 0800. Ligo, e fico a ouvir a música do capeta sem qualquer atendimento. Lembro-me de que o larápio circense levou o celular com o facebook aberto, e preciso urgentemente mudar a senha. A atendente me comunica que a hora de utilização custa a bagatela de R$ 25 por hora. Assalatado novamente, sento-me perante uma máquina que deveria ser um Pentiun 386, levo quinze minutos para abrir o facebook, mais meia hora para mudar a senha. De mãos erguidas, entrego o dinheiro para a atendente. Volto a delegacia, registro a ocorrência, e aliás, sob um atendimento finalmente solidário e atencioso. Quase peço ao escrivão apra usar a internet e acabar de mudar minhas senhas, mas percebo que isso seria um abuso.

Desço então ao primeiro andar, e percebo que o estômago agora precisa ser ouvido. Começo a transitar entre os restaurantes. A cada vez que eu recebia o menu e olhava os preços, instintivamente eu levantava os braços. Seria outro assalto, mas dessas vez, estes meliantes de restaurantes não tinham mais nada pra levar. Resta-me então a opção mais viável. Na lanchonete Viena, dois canecos de chop de 500 ml. Eles matariam a minha fome, e ainda serviriam de calmante.

De forma perfeitamente cronometrada, dou o último gole do segundo caneco justamente na hora em que o meu voo é chamado.

Que alegria. Agora vou embarcar neste avião e dentre de menos de uma hora, estarei em minha amada Curitiba. Carregando a mala sob os empurrões, chego a poltrona 10B. Claro. Você não acha que depois de um dia desses eu pegaria a janela da confortável  primeira fila. Sento-me e espero meus companheiros de viagem. Penso que depois de tudo isso, mereço a companhia de uma simpática e sorridente loira de braços macios e papo bom. Os passageiros vão chegando, e o avião vai ficando lotado. O passageiro da minha esquerda, um simpático engenheiro que viu parte de minha odisséia na delegacia. Com a poltrona da minha direita vazia, “espero com esperança” a chegada da bela loira. Para encerrar meu dia com chave de ouro, peço que o leitor tente advinhar quem chega na poltrona ao lado.

Advinhou?

O gordo do café da manhã!

Claro que não. Se fosse, eu teria cortado os pulsos e não escreveria esta crônica.

Um grande abraço a todos, e vamos aguardar a Copa do Mundo. Tudo vai melhorar neste país, só que não!

ESQUINAS, A PRESSA E A COLISÃO EM UM MUNDO LOUCO

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Vivemos um tempo diferente. Não existe mais a ideia de família, de valores, de limites, de honestidade. No lugar disso, surge um mundo apressado, e ensimesmado, correndo como louco atrás dos prazeres, da satisfação imediata, do “eu quero ser feliz e pronto”. Neste mundo louco, as pessoas correm pelas ruas e se esquecem de que existem esquinas. Com a pressa, o acidente é certo. É inevitável que no mundo acelerado, as pessoas que cruzam os sinais colidam com alguém que corre em outra direção. E é natural que as direções sejam diferentes, pois não há uma pessoa igual a outra.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 2Mas em um mundo tão mudado, grupos assumem uma certa direção, pela religião, pela ideologia política, por uma visão social ou questão profissional, colidindo a cada instante, uns com os outros, e perdendo a noção de coletividade, tornando inviável a própria noção da urbe. E é claro que se as direções são diferentes, e cada grupo justifica-se em sua pressa, cada um pensa estar na preferencial, imaginando-se titular da razão, legítimo detentor do direito de acelerar, de ultrapassar, de não parar. A cada choque, um novo litígio se forma, e mais e mais os grupos vão encontrando diferenças, passando a não mais serem grupos ou pessoas distintas, diferentes, passando a agir como rivais. E entre os rivais, a hostilidade é a regra. Se antes o choque era um acidente de percurso, entre rivais, ele não precisa ser mais evitado.

 

E assim se acumulam os corpos nas esquinas, vertendo sofrimento, tristeza, manchados pelas desavenças, pela tristeza, pela satisfação inalcançável.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 3Mas dentre estes grupos, as maiores diferenças de direção ocorrem justamente entre as gerações. Enquanto uma percebe que o mundo mudou, que todos seguem para leste, quando no seu entender o certo seria o norte, outra segue para o oeste, querendo mudar o mundo, pois o certo mesmo seria o sul. Está formado o quadro perfeito do acidente. E eles acontecem em todas as esquinas, de todas as formas, de abalroamentos a colisões frontais.

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi

 

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem  sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi encontrada.

 

( (  ( ( ( ( ( 1 0 0 2 2 1 7 0 0 0 3 0 7 0 4É necessário respeitar os sinais, respeitar regras, manter a atenção, e principalmente, não se permitir ceder a brutalidade deste trânsito. Em um determinado momento, onde não há preferencial, a regra básica de que vem da direita pode ser a solução. Mas mais que a regra, surge a oportunidade para a gentileza, para se tentar ser melhor, estender a mão e dar passagem. E a nossa pressa? Quem sabe o outro tenha ainda mais pressa, esteja mais atrasado, precise acelerar mais.

 

Mas além das regras das esquinas, existem outros limites, os limites da velocidade, que parecem não fazer sentido, mas que nos cruzamentos passam a ser de fácil compreensão. Ao se obedecer os limites de velocidade no meio da quadra, podemos estar evitando o choque fatal na próxima esquina. Estas placas de velocidade no meio da quadra, aparentemente sem razão de ser, questionáveis prima facie, justificam-se perfeitamente nas esquinas, onde haverá apenas um sinal, uma placa de pare, ou nada, mas um cruzamento, pelo qual haverá de passar tão acelerado quanto você, alguém que segue em outra direção.

 

Desacelere, conduza-se em suas direções com cuidado, obedeça os sinais, observe os limites de velocidade, troque de direção, ou até mesmo volte se necessário, mas não deixe de observar as regras. Elas não existem para te impedir de chegar ao seu objetivo, apenas pretendem garantir que você chegue lá bem, com o mínimo de acidentes possível, e sem deixar nenhum ferido pelo caminho.

 

Desacelere, e chegue bem.

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QUANTAS CORES TEM O CÉU DA ILHA DO MEL?

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Do escuro absoluto, o vento desvenda a Lua, não em sua plenitude, mas assim, como se virasse de lado para ver nascer o amigo sol. Logo um clarão vermelho toma um pequeno espaço do céu. E aos poucos o vermelho se espalha. São seis horas da manhã. O dia vem rompendo a hora. Anuncia o sol para o domingo na Ilha do Mel. E como uma criança curiosa, tenho vontade de perguntar ao pai quantas cores tem o céu? Uma para cada anjo eu me respondo. E cada tom, cada cor, vem cruzando o céu e pintando a Ilha do Mel. O vermelho do Tiê Sangue vem daí eu acho. Aquele azul do mar está no céu. A cor do mel vem bem de pertinho do sol. Todas as cores se juntam mesmo é na Saíra Sete Cores. E tudo vai ficando claro, mais claro, e mais claro, até que a única pergunta que resta, é por qual razão nós, que temos este paraíso tão perto, vivemos tão distantes de toda a beleza?

Sem resposta, fico em silêncio, envergonhado, pedindo que meu filho me poupe de fazer tal pergunta um dia.

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